Resenha : 13, de FML Pepper


Livro: 13
 Autor (a): FML Pepper
Editora: Galera Record / Gênero: Romance 
Páginas: 406 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva

        Oi meus amores! Tudo legal por ai? Aqui tá tudo xuxu beleza. E pra abrilhantar o dia, vamos de resenha? E resenha de livro que eu super gamei! Hoje vou contar um pouquinho da minha experiência com o livro 13 da FML Pepper, publicado pela editora Galera Record. Confesso que essa capa me enganou hahaha, porque eu esperava alguma distopia, já que eu não tinha lido nada a respeito do livro ainda, imaginei que seguiria a linha dos outros livros publicados pela autora, que ficou super famosa com a série “Não Pare!”. Essa série tinha uma deixa mais sobrenatural, e imaginava que 13 seria parecido.
        O livro não tem nada de distópico, e se trata de um romance mais jovial, mas não é um romance adolescente, visto que os protagonistas já estão na universidade.

        Vamos acompanhar a narrativa pela visão dos dois personagens principais – Rebeca e Kalr. Eu adoro livros que mostram duas visões, eu me envolvo mais com os personagens dessa maneira, porque fico sempre tentando decifrar o que o outro está sentindo e isso facilita muito.

Creio naquilo que posso tocar. Portanto, a sorte e o azar para mim não existem. 
        Rebeca é uma pessoa descrente. Sua família é a prova de que Deus não existe, já que seu pai morreu cedo e sua mãe precisou se tornar uma ladra para que as duas sobrevivessem. Rebeca cresceu nesse caos: sempre fora ensinada que não existe nada melhor nessa vida do que o dinheiro. E que ele é o responsável pelo que vale a pena se lutar. E como uma brilhante hacker, está sempre pronta a ajudar sua mãe nos roubos mais estratégicos.

O certo é que os números são o ar que respiro, e a informática corre como sangue em minhas veias. Posso invadir contas bancárias num piscar de olhos, decifrar qualquer senha. 
        Mas parece que as coisas começam a mudar quando acompanha sua melhor amiga em uma visita a uma cartomante esquisita de um parque de diversões caindo aos pedaços. Rebeca sabe que somente os fracos caem nessas previsões malucas de cartomantes, mas quando a velha senhora começa a ditar seu futuro e parece que coisas ruins estão por vir, Rebeca titubeia.
        A começar pelo o assalto grandioso que estava bolando com sua mãe, pois estão sendo perseguidas por um perigoso capanga do mundo do crime. A cartomante previu que daria errado, e sua mãe acabou presa e deportada do país. Como Rebeca também foi pega na boca na botija, os policias fizeram um acordo com a mesma: para não ser presa, seria rastreada 24 horas e trabalharia para os polícias como hacker, com o intuito de desvendar crimes cibernéticos. E uma a uma as previsões da cartomante maluca vão dando certo e Rebeca de repente está assustada demais e confusa demais, pois em seu coração razão e fé não ocupam o mesmo espaço. Até que surge Karl. Mas também surge Eric. E segundo Madame Nadeje o namorado de número 13 será o que mudará para sempre o seu destino, será o grande amor da sua vida.
        Eric é maravilhoso, é o cara perfeito para ser o número 13 e Rebeca tem certeza disso. Mas ainda precisa passar pelo namorado número 12 para que Eric seja o 13 e Karl parece ter arrumado a situação perfeita para que Rebeca o use como o décimo segundo namorado. O que Rebeca não entende é porque de repente se tornou tão próxima de Karl, um ex lutador de MMA com muitos problemas, que não parece ser o cara certo, que nem de longe deveria ser o número 13 em sua vida, mas que tem um magnetismo fora do comum, que entrou em sua vida dilacerando todas as suas certezas (além de claro, beijar muito bem e ter um corpo de tirar o fôlego). Rebeca sabe que os dois juntos só pode significar problema, porque o que teriam em comum uma ex ladra com um ex lutador de MMA fichado pela polícia? Encrenca é a palavra que define os dois, mas será que o universo não tem algo maior preparado para esse encontro? Muitos segredos que serão revelados se você também se aventurar por esse livro!
        Opinião:
       Gente, sério, eu amei esse livro. Achei que a autora amadureceu tanto, porque eu já tinha lido “Não Pare!”, e até gostei, mas esse superou minhas expectativas. Eu queria ler e ler, porque é um romance que te prende. Ele tem uma pegada mais hot, mas não tanto, e eu gosto de uma pimentinha para deixar o casal mais envolvente. Os personagens têm personalidade forte e os dois personagens principais foram muito bem construídos, e têm uma química ótima que te faz querer devorar o livro. O final me surpreendeu, porque a história tomou rumos que eu não imaginava (simm eu fico tentando decifrar o final de todo os livros que leio, e em várias hipóteses que dei para este eu errei em todas hahaha). Eu adoro ser surpreendida e este me trouxe uma surpresa muito boa, além de trazer uma mensagem de fé e esperança nas entrelinhas. Fiquei encantada com a construção de frases da autora, como conduzia os pensamentos dos personagens. Fiquei bastante satisfeita com essa leitura e recomendo para quem gosta de romances e quer se deixa levar por algo envolvente e forte, como essa história soou pra mim!

É natura ter medo. Principalmente medo de perder alguém que amamos demais. Não se angustie, não lute contra ou pense demais. Apensa viva. 


O livro foi ambientado em: grande parte da narrativa em Capitólio, Minas Gerais 
Grande parte da narrativa do livro foi na casa da família de Karl e eles moram em um lugar lindo, lindo chamado Capitólio, em Minas Gerais. Eu já tive o grande prazer de conhecer essa maravilha, que conta com Canyons maravilhosos, cachoeiras e com a imensa lagoa de Furnas, conhecido como Mar de Minas Gerais de tão grande que é. O lugar é a coisa mais linda do mundo e pra quem tá pensando em viajar saca só as imagens, e sente o gostinho desse paraíso (pega eu posando de modelete nas fotos hahaha):











Sinopse:

“TREZE, o romance repleto de ação e de reviravoltas onde por detrás dos mistérios de um número encontra-se o verdadeiro amor”.

Às vésperas de cometer o maior golpe de sua vida, a cética Rebeca vai a um parque de diversões decadente e se depara com uma enigmática cartomante que, contra a sua vontade, faz uma série de previsões bizarras sobre seu futuro. Para seu desespero, todas as nefastas previsões viriam a se concretizar e a arremessariam em um furacão de perdas e de derrotas. Quando sua vida chega ao fundo do poço, circunstâncias inesperadas lhe dão a chance de um recomeço e, querendo ou não, agora Rebeca não pode desprezar a última e mais perturbadora previsão da vidente: o número TREZE, ou melhor, o décimo terceiro namorado seria o homem que traria sua salvação. Longe dele, sua existência seria apenas caos e ruína. O que Rebeca jamais poderia imaginar, no entanto, é a que a cartomante camuflaria o predestinado atrás de charadas. Dois rapazes surgem em seu caminho e se encaixam perfeitamente nas pistas, mas apenas um deles será o grande amor da sua vida. É chegada a hora de decifrar o enigma do coração ou arriscar perder tudo para sempre.

Resenha : Um menino em um milhão, de Monica Wood


Livro: Um menino em um milhão
 Autor (a): Monica Wood
Editora: Arqueiro / Gênero: Romance 
Páginas: 352 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva

        Oi galera, tudo bem com vocês? Hoje a resenha que trago é desse livro que me emocionou demais e virou favorito: Um menino em um milhão, de Monica Wood, publicado pela editora Arqueiro era exatamente o tipo de leitura que eu estava precisando para o momento.


        Faz tempo que estava olhando essa capa linda e desejando colocar os olhos nessa belezinha e me perder nessa história. Eu já tinha lido algumas resenhas, então sabia que o que me aguardava não era uma narrativa mansa, mas algo cheio de emoções. E eu adoro leituras assim, mais introspectivas e reflexivas.


Prefiro não ter você do que tê-lo pela metade

        De cara a gente já sabe que o que vai unir os protagonistas deste livro é um garoto de 11 anos, escoteiro, que é obcecado pelo livro dos recordes, tem uma risada muito sonora e que acontece nos momentos mais estranhos, magricela e um tanto estranho. Esse garoto de nome não revelado vai causar uma avalanche de acontecimentos justamente porque repentinamente ele morre.

        O garoto que enquanto escoteiro foi designado para auxiliar uma velha senhora de 104 anos com seus afazeres diários algumas horas por dia, ao morrer faz com que seu pai, forçado pela ex-esposa termine o trabalho, já que não prestou o suficiente para ser um bom pai, quem sabe não possa pelo menos terminar a boa ação que seu filho estava fazendo enquanto vivo.

        Acontece que o pai, Quinn Potter, não imagina que vai acabar criando laços de extrema amizade com a velha senhora Ona Viktus, e que vai se embrenhar em uma situação inusitada atrás da outra.

       A história é contada por vários pontos de vista. E acontecimento após acontecimento somos levados a sentir os mais tenros sentimentos.


        Esse livro me trouxe um misto de alegria, esperança, tristeza, aprendizado. A amizade sincera que se estabelece primeiro com Ona e o garoto e depois com Ona e a família despedaçada e cheia de cicatrizes do garoto é linda. É doce, é suave. É um livro com uma história muito tocante.

        O garoto, como um bom adorador de recordes, tenta motivar Ona a quebrar alguns, já que tem uma idade tão avançada. E essa esperança do garoto traz nova vida aos dias já pacatos e sem graças de Ona. O garoto consegue rejuvenescer a centenária e lhe apresenta novas perspectivas para seus dias contados. Quando o garoto falece e o pai assume seu posto na vida de Ona, percebe que há muito do garoto na velha senhora e talvez seja esse o momento de Quinn conhecer mais do filho que sempre manteve um pouco distante de sua vida.


        Essas relações e revelações que vão acontecendo aos pouquinhos durante a narrativa me prenderam de uma forma maravilhosa. Eu fiquei tão maravilhada com essa leitura que tenho medo de dizer o quanto gostei! Hahah. Eu sou meio assim mesmo. Porque minhas impressões podem ser diferentes das de outra pessoa. Mas gosto muito de temas assim, histórias um pouco mais dramáticas e com sentimentos intensos pipocando de todas as páginas. Eu me apaixonei por Ona, uma velhinha super simpática e teimosa, que me fez lembrar minhas avós. Também me apaixonei pela doçura do garoto, de como ele cuidadosamente se importou realmente com a história de vida de Ona e despretensiosamente salvou seus dias já monótonos. Os pais do garoto também me tocaram muito com sua trajetória e essa amizade improvável me deixou extremamente satisfeita com a leitura.


     Terminei com um sorriso nos lábios, a autora me deixou bastante contente com seu grand finale, como o próprio garoto havia dito diversas vezes a Ona, que uma vida centenária precisa de um grand finale e nada melhor que o nome imortalizado no livro dos recordes para provar isso. Um livro que vai te convidar a prestar mais atenção a quem está em volta, que vai te provocar a ouvir mais as pessoas. Virou favorito, vai fazer morada aqui no meu coração.


Porque a história de sua vida nunca começa no começo.





Capas do livro pelo mundo:




Sinopse:
Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.

Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana.

Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.

Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal.

Resenha : Ninguém nasce herói, de Eric Novello

Livro: Ninguém nasce herói
 Autor (a): Eric Novello
Editora: Seguinte/ Gênero: Distopia / Ficção
Páginas: 384 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva


        Oi pessoal, tudo bem com vocês? Hoje a resenha é de livro de autor brasileiro! Eba! A gente ama! Hahah. Ninguém nasce herói, de Eric Novello publicado pelo selo da Seguinte, é aquele tipo de livro extremamente provocativo. Um livro que vai te tirar da zona de conforto e te fazer refletir sobre vários assuntos, mas principalmente sobre o assunto preconceito.



       O próprio autor relata no livro em uma carta que foi enviada aos parceiros da editora Companhia das Letras que a vontade de escrever esse livro surgiu no ápice da crise política que estamos vivendo no país. Essa descrença que assola nós brasileiros foi o estopim para que o autor pensasse e escrevesse essa história.


        No livro vamos acompanhar a vida de Chuvisco, que vive em um mundo a frente do nosso tempo. Parece meio distópico o livro, acreditava até que pudesse se enquadrar nesse gênero, mas a medida que fui evoluindo na leitura, tudo o que acontece com Chuvisco e seus amigos não está muito longe de acontecer em nossa realidade.

        Chuvisco vive dias de grande medo e coerção depois que um sujeito assumiu o poder do país, intitulado o Escolhido. Na verdade ele forçou sua candidatura e enganou todo mundo com um discurso bonzinho só para chegar ao poder e dilacerar com a minoria. Impondo um mandato baseado na coerção e no medo, criou leis absurdas onde se é propagado aos quatro ventos a permissão de discriminar negros, homossexuais, trans, pobres. Nunca se viu uma população tão dividida e falando abertamente que é preciso acabar com o que é diferente do que foi posto como o certo. Estas pessoas ditas como diferentes são caçadas e perseguidas por milícias intituladas “Guarda Branca”. Cada dia que passa o ódio e a perseguição a essas pessoas aumenta. E Chuvisco só vê um jeito de conter tudo isso: lutando.


Bastaria alguém e força de vontade. Bastaria dizer chega. O problema é que o 'basta' abre as portas para o desconhecido. E, hoje, o desconhecido causa medo. 
        
       Chuvisco tem um grupo de amigos que se propõe a levantar bandeiras para poder parar esse individuo que resolveu colocar o pais ainda mais de pernas para o ar. E parece que as pessoas estão tão bitoladas em seu discurso que acham tudo muito correto e não percebem que estão sendo transformados em monstros preconceituosos.

        O que me causou mais espanto nesse enredo é perceber que realmente não estamos longe de algo assim. A gente luta constantemente para que as classes mais frágeis da sociedade não sofram preconceitos, mas cada dia que passa parece que o negócio toma proporções inversas.


        Apesar dessa pegada mais de abrir os olhos para o que está acontecendo ao nosso redor que o livro trás, notei que o tema homossexualidade está mais evidente. O autor quis dar um enfoque especial a essa vertente, acredito que para mostrar que realmente o mundo precisa de mais entendimento sobre esse assunto, antes de julgar.

       Ao ler o livro percebemos claramente como é difícil ser um renegado da sociedade. E nos faz refletir: não somos todos? Quando estamos sendo extorquidos pelos nossos governantes, quando precisamos pagar por escolas e hospitais particulares sendo que com o imposto que pagamos deveríamos ter tudo isso muito bem construído e em benefício nosso? Somos assaltados todos os dias e viver em um pais à margem só faz crescer o ódio e os preconceitos.

- Você precisa reaprender a se divertir, Chuvisco - Letícia fala, notando minha cara de derrota. - Ser feliz também é uma forma de protesto.


       O livro foi muito bem escrito na minha opinião, apesar de ter ficado um pouco confusa no começo com as Catarses Criativas que o personagem principal tem, o Chuvisco. Ele tem um problema que o faz misturar realidade com ficção, mas depois que entendi como funcionavam essas Catarses ficou mais fácil de compreender a leitura. É um livro que vai te fazer refletir sobre os atos, sobre como somos enquanto brasileiros e se estamos fazendo algo para mudar nosso país de agora, para que não nos tornemos extremistas do amanhã. Uma leitura reflexiva e com algumas lições que vou levar com absoluta certeza. Recomendo a leitura!

A verdade é que ninguém nasce herói. Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quanto. 

Sinopse:
Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

Resenha : Carbono Alterado, de Richard Morgan


Livro: Carbono Alterado
 Autor (a): Richard Morgan
Editora: Bertrand Brasil / Gênero: Ficção
Páginas: 490 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva


Essa resenha foi feita pela colaboradora Ana Paula dos Santos


        Carbono Alterado é um tipo de livro que eu nunca havia lido antes e, por isso, não fazia ideia do que esperar dele, apesar de os comentários dos críticos na capa serem bastante positivos. A história futurista (passada no século XXV) pode, na minha opinião, ser descrita como “bem louca”. 

         Takeshi Kovacs vive em um tempo no qual as pessoas não parecem mais serem pessoas. Ele mesmo já morreu antes. É como se, no lugar do cérebro e da alma, as pessoas tivessem um HD que armazenasse todas as suas informações ao longo da vida e, contanto que não fosse destruído, pudesse ser colocado na capa (corpo) de outra pessoa, e então seria você no corpo de outro. Somada a toda essa tecnologia, descobrimos que as pessoas vivem em um universo “colonizado”. Kovacs é de um mundo chamado Mundo de Harlan, e nunca esteve na Terra. Ainda, com essa troca de capas, as pessoas (que podem arcar com os custos) chegam a viver mais de trezentos anos, e a capa utilizada para encapar alguém tem algumas influências sobre aquela pessoa a qual ela está a hospedar.

         No início do livro, Kovacs está com Sarah em um apartamento que é invadido, e os dois morrem. Não ficou muito claro para mim, mas acredito que os dois sejam parceiros e amantes.

Sarah já estava voltando a mira para os vultos além da parede quando o segundo comando noturno apareceu escorado na porta da cozinha e a metralhou com o fuzil de assalto. Ainda de joelhos, eu a vi morrer com claridade química".

 Ele é trazido de volta à vida na capa de outra pessoa na Terra para investigar a morte de um homem muito rico que tem inúmeros inimigos. Este homem, Laurens Bancroft, também voltou à vida: ele tem várias capas que podem ser utilizadas. Sua morte foi dada como suicídio pela polícia, mas ele diz que nunca se mataria, e quer saber quem é a pessoa que fez isso consigo. Por indicação, escolhe trazer Kovacs à Terra sob um contrato que o prende à investigação e força-o a dar a sua palavra e o seu melhor para resolver este mistério.

         Assim que é encapado, ele conhece a tenente Ortega, que o leva à mansão de Bancroft. Os caminhos dos dois se cruzarão diversas vezes, e o motivo disso vai muito além da investigação que ele quer reabrir, e a polícia não. Na mansão, ele conhece Míriam Bancroft, bela esposa de Laurens, e Kovacs logo se sente atraído por ela.


         Depois de conversar com o casal Bancroft em separado, Kovacs segue para o hotel, onde é atacado por pessoas que ele obviamente não conhece, e é salvo pelo sistema de segurança do hotel. Apesar de não conhecer ninguém na Terra, claramente alguém sabe quem ele é e quer algo dele. As cenas de ação ao longo do livro transmitem bastante intensidade ao leitor, e são, para mim, as melhores partes.


         Havia cinco homens e mulheres no centro cirúrgico, e eu matei todos eles enquanto me encaravam. Então fiz o neurocirurgião em pedaços com a arma de partículas e rasguei o raio sobre o resto do equipamento na sala. Alarmes gritaram de todas as paredes. Sob a tempestade dos uivos combinados, terminei o serviço, infligindo Morte Real em todos os presentes.”


         Em um momento da história, Sarah é usada para chantagear Kovacs. Ela é ameaçada de tortura e morte real caso ele não dê logo um fim às investigações. O que ele irá fazer? Conseguirá desvendar esta trama? Há, também, momentos de sexo ao longo do livro, e estes são bastante descritivos.


         Ela se inclinou sobre mim, os seios balançando, e eu estiquei o pescoço para sugar vorazmente aquelas esferas em movimento. Minhas mãos se ergueram para segurar-lhe as coxas no ponto em que se abriam cara cada lado do meu corpo".


         Embora seja uma história com grandes momentos de ação e perseguição, não a considerei fácil de ler. Arrasta-se em vários momentos, parece que não passa. Contudo, isso não é de todo ruim, pois é uma trama que nos faz refletir várias vezes sobre a condição humana e a tecnologia. Faz-nos pensar em onde vamos parar como sociedade, e acredito que este tipo de leitura não deva ser necessariamente rápida.

         Carbono alterado tem tudo para ser uma grande série de ação, e para mim, funcionará melhor como série do que como livro. Porém, tenho certeza de que os fãs do gênero irão amar o livro. A leitura valeu por me fazer sair de uma certa “zona de conforto literária”. Abrir os horizontes faz bem. Aproveitem a leitura.
Capas do livro pelo mundo:



Sinopse:
Um eletrizante thriller noir de ficção científica em adaptação para série do Netflix No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar. A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-militar de elite, após sua última morte, tem sua consciência transportada a Bay City, a antiga São Francisco, e é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata. Isso só para descobrir que seu contratante é a própria vítima, que voltou à vida em um novo corpo, mas sem as memórias do crime. Mal sabe Kovacs, porém, que essa investigação irá lançá-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.