Resenha : O jardim secreto, de Frances Hodgson Burnett


Livro: O jardim secreto
 Autor (a): Frances Hodgson Burnett
Editora: Martin Claret / Gênero: Literatura Estrangeira / Infantil
Páginas: 296 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Submarino

        Oi, oi pessoas lindas! Que lindo dia para publicar a resenha de um livro que fala lindamente sobre jardins e sentimentos: hoje é a vez do livro O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett figurar por aqui. Li em uma edição belíssima que a editora Martin Claret publicou recentemente em 2017. Não preciso nem falar que as edições da Martin Claret são minhas favoritas, porque eles capricham demais. Essa edição está com ilustrações delicadas, e conta com uma capa vazada super original e letras ótimas de serem lidas. Não daria menos que perfeito como nota na edição.

[...] Havia uma porta, e Mary a empurrou lentamente para abri-la, e eles passaram juntos por ela, e Mary parou e acenou com a mão num gesto desafiador.
– É este – ela disse. – É um jardim secreto, e eu sou a única pessoa do mundo que quer que ele esteja vivo”.

        Eu já tinha assistido ao filme desse livro, quando era pequena (esse filme na verdade repetia muito na sessão da tarde hahah, então nem me lembro de quantas vezes o assisti, porque eu gostava muito). Mesmo assistindo mais de uma vez na infância eu não me recordava muito bem da história, e depois de ler o livro, acho que o livro é tremendamente mais doce, mas mesmo assim coloquei como meta assistir ao filme novamente, só para ter um veredicto.







        O livro é narrado em terceira pessoa, e começa nos contando sobre uma garotinha que perde seus pais e todos seus parentes na Índia para uma doença terrível. Sozinha, precisa se mudar então para a Inglaterra onde tem um tio que ficará com sua custódia. Mary, a garotinha, é uma criança que viveu a vida toda odiando pessoas. Ela tem o temperamento muito forte e não se importa com mais nada a não ser com ela mesma. Ela é rabugenta e ranzinza e muito teimosa. Porém conforme conhece mais da propriedade de Yorkshire e de seus habitantes, vai se tornando alguém diferente. A autora em todo momento nos mostra como é possível se tornar alguém melhor, quando desejamos realmente sermos melhores. O amadurecimento de cada personagem é incrível conforme a leitura avança e esse amadurecimento deu um sentido todo especial a leitura.

- Dickon – disse ela -, você é tão bom quanto Martha disse que era. Eu gosto de você, e com você são cinco pessoas. Eu nunca pensei que gostaria de cinco pessoas”.

        Mary acha tudo muito estranho em sua nova casa. Há um tio, mas ela só o vê uma vez. Ele é extremamente ausente. A casa parece guardar muitos segredos.  A esposa do seu tio, ao que parece morreu faz dez anos e desde então, seu tio deixou de cuidar do jardim predileto da esposa e escondeu a chave, para que ninguém mais cuide. Conforme os dias passam, Mary também descobre que tem um primo e que ele fica escondido em um quarto. Ele sofre muito, pois acha que foi responsável pela morte da mãe. Não sai de sua cama, se sente fraco muitas vezes e debilitado. E por ficar enclausurado, também tem problemas de relacionamento, com crises de histeria freqüentes.


        Mary em suas andanças pela residência encontra a chave do jardim secreto, o jardim que ninguém tem permissão de cuidar. E parece que depois dessa descoberta tudo começa a tomar novo rumo e nova cor. Mary está obstinada a fazer reviver o jardim, ela tem certeza que pode. E vai contar com a ajuda de Dickon, o irmão de Martha, a emprega da casa para conseguir esse feito. Afinal, ele é um encantador de animas e plantas, e sabe muito de jardinagem.

“O fato de o jardim estar trancado há tanto tempo é o que motivava a querer vê-lo. Parecia que ele devia ser diferente de outros lugares e que alguma coisa estranha devia ter acontecido a ele durante esses dez anos”.

        Mary vai se tornando outra pessoa conforme os dias passam – de repente ela está mais feliz, come melhor, conversa com as pessoas – e se sente capaz de também influenciar o pequeno Colin a ser alguém diferente. Ela vai o motivar a sair de sua condição de doente e lhe contar diariamente o que vê no mundo lá fora, fora de seu quarto. Colin começa a perceber o quanto de vida está perdendo, por estar simplesmente aceitando sua condição de derrota, sem lutar. E ele fica encantando com os relatos de avanço no Jardim Secreto. Ele quer ver as flores brotarem, ele quer participar desse momento. Juntos, essas três crianças vão formar um elo mágico de amizade, superação e aprendizado, que vai dar uma entonação pura e bela para esse livro.

        Eu me senti encantada com a escrita de Frances. Apesar do livro ser um clássico e ter sido escrito há bastante tempo, a escrita é muito fluída, e a tradução está perfeita, pelo menos nessa edição que li. A história é inspiradora, nos faz ver e sentir como é possível através da natureza nos modificar. Parece que as crianças ao fazerem o jardim renascer estavam cultivando seu próprio coração e vida. Cada trecho, cada palavra mexeu muito comigo nesse livro. Achei uma leitura singela, prazerosa e muito esperançosa. Que delícia quando encontramos uma leitura desse tipo em nosso caminho. A gente fica melhor e se sente melhor depois de um livro assim.

       Ele faz refletir sobre perda, depressão e sobre as coisas que colocamos em nossas cabeças que muitas vezes não são verdade. Faz enxergar que com força de vontade é possível modificar quem somos. Que a força do nosso pensamento, quando positiva, opera maravilhas em nossa vida. Pois é, eu não imaginava que um livro assim, considerado infantil fosse trazer reflexões tão belas e significativas. Ele não é nada raso, é super profundo, com ponderações belíssimas. Um clássico para se ter na vida, com absoluta certeza. Indico demais essa leitura, que virou favorita e me encantou tremendamente.

“- É claro que deve ter muita Mágica no mundo – ele disse sabiamente um dia, - mas as pessoas não sabem como ela é nem como fazer uma. Talvez o começo seja apenas dizer que coisas boas vão acontecer até você fazer com que elas aconteçam. Eu vou tentar e experimentar”. 

Sinopse:
Descendente da aristocracia inglesa ― mas nascida e criada na Índia ― Mary Lennox é uma menina de dez anos que vê sua vida se transformar após a perda dos pais, obrigando-a a se mudar para a Inglaterra e morar com um tio que nunca conheceu. Em meio à mansão no condado de Yorkshire, Mary começa a desbravar os segredos escondidos ali, eliminando as ervas daninhas que encobrem os caminhos que levam ao secreto jardim e fazendo amizades que transformam sua trajetória e a de todos ao seu redor.


Resenha : As garotas de Corona Del Mar, de Rufi Thorpe


Livro: As garotas de Corona Del Mar
 Autor (a): Rufi Thorpe
Editora: Novo Conceito / Gênero: Drama, Romance
Páginas: 288 / Ano: 2017
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       Olá pessoas! Tudo bem com vocês? Hoje a resenha que trago é de um livro lançado o ano passado pela editora Novo Conceito – As garotas de Corona Del Mar, de Rufi Thorpe. A sinopse promete uma história comovente entre duas amigas, que durante a trajetória de suas vidas vê seus destinos se modificando inesperadamente com o passar dos anos.

Eu só conseguia ter rápidos vislumbres do labirinto que era a mente dela, e por isso fui forçada a reunir as peças do mundo interno dela por meio de interferência e observação.

        Vamos acompanhar a história sob o ponto de vista de Mia, que narra sua adolescência na cidade de Corona Del Mar onde tem uma melhor amiga muito improvável, a Lorrie Ann. Improvável porque as duas são como açúcar e sal de tão diferentes. Mia é mais o estilo bad girl, enquanto Lorrie Ann é a encarnação divina de anjos. Bem, isso sob o ponto de vista de Mia. Para ela não há pessoa mais perfeita que Lorrie Ann na face da terra e sua família estabilizada.


        Já a vida de Mia é uma eterna montanha russa de sentimentos e matizes. Sua mãe é alcoólatra, tem um padrasto que pouco gosta, e acaba tendo que tomar conta de seus irmãos muitas vezes, quando sua mãe parece não dar conta. Do outro lado, sua vizinha Lorrie Ann parece em controvérsia, parece viver uma vida quase próxima de um conto de fadas. Tudo está sempre em seu devido lugar. Ela é sempre a sensata. Lorrie Ann é sempre a que está disponível para fazer o que há de correto a fazer.


        Quando Mia fica grávida aos quinze anos e resolve abortar seu bebê, a única pessoa na qual confiou esse segredo foi Lorrie Ann, que não a julgou, não fez perguntas, apenas a apoiou e foi com ela para fazer o que tinha que ser feito. Mia, depois desse ato, aceitaria tudo de ruim que a vida poderia lhe dar, pois ela sentia dentro dela que merecia. Mas a vida gosta de pregar surpresas e o destino ruim que Mia acreditava que deveria ser dela, aparentemente escolheu a doce Lorrie Ann para atormentar.

       Uma sucessão de acontecimentos ruim colocam Lorrie Ann em situações das mais dolorosas: a morte prematura de sua pai em um acidente de carro, uma gravidez complicada que lhe gerou um filho bastante debilitado, a morte de seu esposo na guerra. A cada acontecimento Lorrie Ann deixava de ter um pouco de seu brilho, para se deixar sugar por um mundo sem voltas: drogas, depressão, abandono. Mia vai tentar de tudo para estar ao lado de sua melhor amiga nesses momentos não tão bons que a vida lhe reservou, mas a medida que a história avança vemos a dificuldade que é tentar ajudar uma pessoa que se tornou estranha para nós.


        Essa história é praticamente uma narrativa comovente entre duas amigas, que desejam que a amizade permaneça, lutando constantemente para continuarem unidas, apesar das dificuldades.

Normalmente, amizades entre meninas são guardadas em caixas com cartões-postais e canhotos de entradas, mas o que quer que houvesse entre eu e a Lorrie Ann não era assim tão fácil de colocar de lado.

        A história narrada por Rufi Thorpe vai trazer elementos bastante interessantes também, que eu pouco li em outros livros: a questão da violência no trabalho de parto, as cicatrizes que isso deixa nas mulheres que sofrem demasiadamente para terem seus filhos e como isso pode influenciar muito no que vem depois. Também traz elementos bastante sinceros sobre as amizades que fazemos durante nossas vidas, e como muitas vezes achamos que a vida da outra pessoa é perfeita, mas que na verdade tem buracos enormes que não conseguimos enxergar na ilusão de que a vida do outro é sempre melhor.

       Também reflete na dor que é deixar uma amizade verdadeira se esmorecer na nossa caminhada. Quanto disso não ocorre em nossas vidas não é mesmo? Somos super amigas de alguém, crescemos juntos, brincamos juntos e então crescemos e a vida nos separa pelos motivos mais insignificantes.


       Esse livro é dolorosamente real e bonito ao mesmo tempo. Traz uma narrativa que não surpreende (talvez por ser bastante linear), mas que envolve o leitor, e te faz refletir muito sobre as amizades que conquistamos em nossa vida. Recomendo para quem quer ler algo mais sentimental e profundo, para quem quiser conhecer de perto a história de Mia e Lorrie Ann e de como as amizades que fazemos durante nossas vidas influenciam nossas caminhadas e decisões. 



O livro é ambientado em: 
Corona Del Mar, uma cidade beira mar na Califónia, EUA.






Sinopse:
Amizade entre garotas pode ser intensa e, no caso de Mia e Lorrie Ann, não há dúvidas de que isso é verdade.

À medida que crescem, a vida de Mia e Lorrie Ann é preenchida com praia, diversão e passeios ao shopping.

Por outro lado, como toda amizade, há conflitos e dores. 

Mia e Lorrie Ann convivem há muito tempo e possuem personalidades opostas. Mia é a bad girl , vivendo em uma família problemática. Lorrie Ann é linda e amável, quase angelical, e tem uma família que parece ter sido arrancada de um conto de fadas. 

Mas, quando uma tragédia acontece, a vida perfeita sai fora de controle...

Resenha : Histórias de ninar para garotas rebeldes, de Elena Favilli e Francesca Cavallo


Livro: Histórias de ninar para garotas rebeldes -
100 fábulas sobre mulheres extraordinárias
 Autor (a): Elena Favilli e Francesca Cavallo
Editora:  V & R Editora / Gênero: Biografia / Memórias
Páginas: 220 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Submarino


        Oie lindezas! Tudo bem com vocês? Hoje vou trazer resenha de um livro que roubou muitooo o meu coração! Histórias de ninar para garotas rebeldes – 100 fábulas sobre mulheres extraordinárias foi elaborado pela jornalista Elena Favilli e pela editora Francesca Cavallo, em uma obra prima de publicação lançada aqui no Brasil pela V & R Editora. A edição está belíssima, capa dura, folhas super grossas e resistentes, cheio de cor e sonho, como todo livro de fábulas deve ser. Mas neste vamos encontrar fábulas um pouquinho diferentes das que estamos acostumadas a ver.



        As duas autoras resolveram contar histórias de uma forma bastante original de 100 mulheres que fizeram diferença no mundo. E elas foram bastante ousadas, trazendo desde mulheres como Malala Yousafzi, ativista jovem, que vive em nossos dias atuais, como Cleópatra, mulheres que datam de muito antes de Cristo.

        De um jeito bastante solto e leve, esse livro vai nos mostrar a força, a delicadeza e a determinação com que mulheres no mundo todo deixaram sua marca de alguma forma na história da humanidade. Na sua grande maioria, mulheres que tiveram que lutar bravamente contra estereótipos, machismo, hierarquia desproporcional, para vencerem e terem voz. Mulheres que testaram os limites mais loucos e foram além, muito além. Mulheres tão fortes que me motivam, e despertam em mim a vontade de também ser transformadora e agir no mundo atual.

        Esse livro é essencial para quem tem filhas (e também para quem tem filhos) e cai como uma luva para a hora do dormir. Com uma página curta, as autoras contam um pouquinho da vida de cada uma dessas 100 mulheres, e com ilustrações lindas e coloridas fizeram deste livro, julgo dizer, obrigatório para o fortalecimento do universo feminino desde a mais tenra idade.

        Foi delicioso ler cada história. Procurei sobre várias mulheres na internet, para me interar mais sobre elas e descobrir um pouco mais de suas vidas. Cantoras, bailarinas, matemáticas, ativistas, surfistas, astrofísicas, engenheiras, você vai encontrar um pouco de tudo nesse livro. A beleza de se reconhecer mulher e forte, e brilhante é uma delícia. Por muito tempo a mulher foi renegada a uma parcela pequena da sociedade. Apesar de todo o avanço nos dias de hoje, ainda vemos cenários absurdos em países extremistas em relação às mulheres. É preciso que alcancemos cada vez mais longe com nossas vozes uma revolução, que façamos parte das mudanças que queremos ver no mundo. Que queremos ser tratadas com respeito, que queremos ser o que quisermos, com a liberdade de um pássaro.


       A gente vê cada vez mais livros desse tipo nas livrarias, e eu acho super importante que existam mesmo. É lindo, lindo! Recomendo muito a leitura deste, me preencheu a alma e me deixou esperançosa – muito já foi alcançado por nós mulheres. É possível alcançar muito mais. 

Sinopse:
Cem histórias que provam a força de um coração confiante: o poder de mudar o mundo.


Que essas valentes mulheres inspirem vocês. Que os retratos delas imprimam em nossas filhas e filhos a profunda convicção de que a beleza se manifesta em todas as formas, cores e idades. Em Histórias de ninar para garotas rebeldes, tudo o que podemos sentir é esperança e entusiasmo pelo mundo que estamos construindo. Um mundo onde gênero não defina quão alto você pode sonhar nem quão longe você pode ir.


“Um livro absolutamente necessário para embalar qualquer garota ou mulher que conhecemos.”
– Geri Stengel, Forbes



“Essas histórias de ninar transformarão princesas em mulheres que mudarão o mundo.”
– Taylor Pittman, The Huffington Post

Resenha : Viva a vagina, de Nina Brochmann e Ellen Stokken Dahl


Livro: Viva a vagina
 Autor (a): Nina Brochmann e Ellen Stokken Dahl
Editora: Paralela / Gênero: Educação / Saúde
Páginas: 344 / Ano: 2017
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        Olá pessoas tudo bom? Espero que sim! Hoje a resenha é de um livro extremamente informativo e que deveria ser lido por todas as mulheres (mas também pelos homens) chamado Viva a vagina, publicado pela editora Paralela no ano passado, escrito pelas norueguesas Nina Brochmann e Ellen Stokken Dahl. As duas autoras são estudantes de medicina, e resolveram escrever esse livro para desmistificar todos os tabus, medos, aflições, dúvidas que envolvem esse universo lindo que é a nossa vagina!


        Quando peguei o livro na mão, achei que traria dados muitos técnicos e que a leitura soaria enfadonha demais. Mas apesar das duas autoras serem estudantes de medicina, são usados termos totalmente simples e de fácil compreensão durante a narrativa, inclusive recheiam o livro de exemplos que tornam o entendimento ainda mais leve e fácil.

        Eu achei que sabia tudo da minha, hum, vagina. Porque a gente nasce mulher e acha que sabe das coisas né! Kkk. Mas olha, eu nunca tinha lido um livro tão recheado de assuntos, pois ele traz explicações desde a formação do nosso canal vaginal, bem como assuntos sobre genes e gênero, concepção, contra-concepção, principais doenças que podem acometer a vagina e muitos outros assuntos.


        As autoras destacam explicações das mais diversas sobre todos os tipos de contraceptivos que existem atualmente, o que eu achei super interessante, porque elas colocam os prós e os contras de uma maneira bastante tranquila e revelam corretamente o que cada um deles pode trazer de benéfico ou de alarmante, mas não para criar uma tensão desnecessária e sim informativa e real.

        Nós mulheres temos as preocupações das mais diversas com nossas partes íntimas e muitas vezes não temos a coragem de perguntar para uma outra mulher se isso ou aquilo é normal. Essa barreira, que é cultural em relação ao que as mulheres podem comentar ou não, ou de falar abertamente sobre sexo, vem caindo por terra a cada passar de ano. Ainda bem, porque como o livro mesmo cita, antigamente a mulher quanto menstruava precisava ficar reclusa, ou quando tinha uma primeira relação com seu esposo, para que fosse comprovado que ela era virgem precisava sangrar (e o lençol sujo era estendido para que todos vissem o que realmente aconteceu nas janelas de suas casas). No livro vamos ver que nem sempre isso acontece, e achei super interessante as médicas trazerem assuntos como este, que até hoje nos causam dúvidas.

        Há bastante conteúdo também sobre sexo, prazer, orgasmo. Há conteúdo sobre doenças que acometem o ovário, e fiquei contente de ler um pouco sobre o problema que descobri recentemente – ovário policístico e as dificuldades que talvez mulheres encontrem para engravidar sem saber o porque.

         Esse livro é aquele tipo que deve estar sempre na estante, a mão. Quando você tiver uma dúvida ou de repente notar que algo não está normal ou legal lá embaixo procurar e ler a respeito. E então perceber que algo realmente não está certo e procurar ajuda médica. Nós não sabemos de tudo, ainda há muito que aprender sobre nós mesmas. E livros como esses são essenciais para descobrimos mais a respeito do universo feminino. Recomendo demais a leitura, vai trazer informações valiosíssimas! 



Sinopse:
Você pensou que conhecia seu corpo? Pense de novo! Viva a vagina explica tudo o que você sempre quis saber sobre a vagina, mas não ousou perguntar. Aprenda a verdade sobre orgasmos femininos, a dança dos hormônios menstruais e o que exatamente é a vulva. Este livro também oferece explicações detalhadas para finalmente entender como os diferentes tipos de contraceptivos funcionam no corpo, como é uma vulva “normal” e se o uso de meias pode mudar sua vida sexual. As estudantes de medicina e educadoras sexuais Nina Brochmann e Ellen Støkken Dahl utilizam os conhecimentos médicos para oferecer informações confiáveis e desmistificar o órgão sexual feminino. Com uma abordagem direta e bem humorada, é uma leitura obrigatória para mulheres (e homens!) de todas as idades.

Resenha : Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro


Livro: Não me abandone jamais
 Autor (a): Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras / Gênero: Ficção
Páginas: 344 / Ano: 2016
Skoob / Amazon / Submarino

         Oi pessoal, tudo bem? Hoje o livro que trago para resenha aqui no blog, foi ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2017 – Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro, publicado pela editora Companhia das Letras. A edição está lindíssima, a borda das páginas tem uma cor prateada brilhante e a capa é muito instigante, para mim claramente carregando um teor de mistério (mistério este que vai envolver o leitor durante toda a leitura da narrativa).

Esse foi o meu primeiro contato com um livro do Kazuo. Ainda não tinha lido nada dele, e receber este livro da editora Companhia das Letras foi o pretexto perfeito para conhecê-lo. Confesso que quase desisti da leitura. Eu já tinha percorrido umas boas 60 páginas e ainda não tinha me envolvido com os personagens. Talvez por não estar familiarizada, achei a escrita de Kazuo morosa e lenta, apesar de ser um livro muito bem escrito. Resolvi fechar o livro, convicta de que não o pegaria mais. Fechei, mas ainda deixei ele em cima da mesa, visível. Pensei: “Poxa, um livro que ganhou o Nobel, não é possível que ele não esteja me prendendo. Eu preciso continuar, preciso ir com isso até o fim para tirar uma conclusão”. Então peguei ele novamente e não parei até chegar a última página.


        Não vou ser hipócrita aqui e dizer que foi o livro que mais amei na vida. Mas depois que eu insisti, percebi a beleza sutil nas linhas, o mistério que envolve o leitor até as últimas páginas, a aflição pela descoberta dos personagens do que realmente eram suas vidas e isso me prendeu mais na leitura.

        O livro traz três personagens principais – Kathy, Tommy e Ruth, mas é narrado apenas sob a perspectiva de Kathy, em primeira pessoa. Os três são amigos desde a infância e vivem suas vidas dentro de um colégio chamado Hailsham. Eles não têm pais. Têm apenas guardiões que servem também como professores, e não vivem outra vida a não ser aquela apresentada ali, em Hailsham. Eles não são “prisioneiros” por assim dizer, mas parecem não questionar o rumo que suas vidas levam.

        O autor vai desenrolando os fatos muito devagar, criando uma áurea de mistério enorme em relação ao que é esse colégio, o que realmente as crianças que estudam nele são e para quê servirão. Esse mistério foi o que me deixou mais presa a narrativa, porque eu ficava aflita a cada virar de página, querendo entender mais o que estava acontecendo, que rumo tomaria a narrativa.

        Os personagens serem demasiadamente ingênuos também me deixou angustiada. Eu sentia vontade de sacudi-los, de abrir seus olhos, mostrar que não precisava ser assim, mas acredito que o autor criou essa tensão de propósito, para deixar o leitor se questionando das atrocidades que a humanidade é capaz de realizar em benefício próprio.
Kathy é uma personagem sensível e forte, apesar de ser pouco questionadora. Ela me deixava com vontade de gritar, de lutar por ela, de abraçá-la. Tommy também foi um outro personagem pelo qual me apaixonei e Ruth, apesar de seus problemas, mostrava talvez o lado mais “humano” dos três.

        Não vou contar muito do enredo para não dar algum spoiler, porque o mistério que envolve a vida dos três foi o que me motivou a continuar com a leitura. No final, acabei apreciando bastante a obra, mas não consegui dar cinco estrelas por conta de não ter me envolvido de imediato, o livro foi me conquistando gradativamente.

        
       Não tirava da cabeça conforme ia avançando na leitura aquele filme A Ilha (com Ewan McGregor e Scarlett Johansson), achei o enredo bastante parecido. Depois descobri que tem um filme deste livro mesmo, “Não me abandone jamais”, e que vou assistir para ver de uma outra perspectiva. Convido a vocês a conhecerem essa obra, afinal não é para muitos ganhar um prêmio Nobel, e conhecer Kazuo. Eu não vou desistir desse autor, quero ler mais livros dele, porque apesar das dificuldades que encontrei no avanço da leitura no começo do livro, achei que ele escreve muito bem! E a sensibilidade com que é tratado o tema misterioso principal já vale a leitura como reflexão: para onde está caminhando verdadeiramente o que chamamos de “humanidade”?

Filme: A Ilha, (com Ewan McGregor e Scarlett Johansson).

No futuro existe uma entidade utópica baseada na vida do século XX!, que procura recriá-la nos mínimos detalhes. Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) vive nesta realidade e, como todos seus residentes, sonha em chegar em um local chamado "a ilha", o único ponto não contaminado do planeta. Após descobrir que todos os habitantes são clones, que possuem a única finalidade de fornecer partes de seu corpo para seres humanos reais, Lincoln decide escapar juntamente com Jordan Two Delta (Scarlett Johansson).


Filme: Não me abandone jamais (com Carey MulliganAndrew GarfieldKeira Knightley).

Ruth (Keira Knightley), Tommy (Andrew Garfield) e Kathy (Carey Mulligan) cresceram juntos em um internato cheio de disciplinas rígidas nas questões da alimentação e na manutenção do corpo saudável. Criados, praticamente, sem contato com o mundo exterior na misteriosa escola, os três sempre foram muito unidos, mas uma revelação surpreendente sobre doação de órgãos e o objetivo de suas vidas pode mudar o rumo da história. Ainda mais pelo clima de romance entre Ruth (Keira) e Tommy (Andrew) incomodar cada vez mais Kathy (Carey).


Cenas do filme: Não me abandone jamais





Trailer: Não me abandone jamais


Sinopse:
Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição.

Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.