Resenha - As perguntas que não quero fazer, de Kate de Goldi


Livro: As perguntas que não quero fazer / Autora: Kate de Goldi
Editora: Fundamento / Gênero: Literatura Estrangeira
Páginas: 232 / Ano: 2015
Skoob

     Hoje vou trazer pra vocês a resenha do "As perguntas que não quero fazer", de Kate de Goldi, publicado pela editora FundamentoPrimeiro: QUE CAPA MAIS LINDA! e o título do livro? MEGA sugestivo. Gosto de títulos inteligentes, que despertam curiosidade, títulos e capa que te fazem querer comprar o livro. Desde que vi fotos deste livro espalhadas pela internet fiquei com um comichão danado pra ler.


     E o que dizer deste livro: gente, ele é um livro delicado. Tanto que talvez não agrade todo tipo de leitor. Ele é reflexivo de uma forma mais down, mais blue, sabe? Ele está entre a tênue linha da reflexão, pureza e sentimentos de tristeza, insegurança, libertação.

     O livro tem como personagem principal Frankie Parsons. Frankie é um garoto de quase 13 anos. Ele tem uma irmã alguns anos mais velha que de uma hora para outra virou sua pior inimiga, um irmão também mais velho que já saiu de casa buscando seu espaço, um pai que todos chamam de Tio George, inclusive os filhos e sua mãe Francie, que faz bolos e confeitos em casa para vender. Uma família aparentemente normal. Aparentemente.

Ela descia as escadas com passos pesados, daquele seu jeito truculento típico de todas as manhãs. firmava sofrer de mau humor matinal. Na visão particular de Frankie, sua irmã não ficava de bom humor em horário nenhum - nem de manhã, nem à tarde, nem á noite. Quando menos ele a visse, melhor. 

     Frankie tem consciência de que sua família não é normal. Frankie sempre fica sem dinheiro para pegar o ônibus da escola, é o principal responsável pelas compras e abastecimento da casa e será que ninguém se lembra de trocar as pilhas do detector de fumaça? Sua casa não funcionava. E será que só ele se importava? Pelo jeito sim. E Frankie se importava muito, se incomodava muito. Frankie era o tipo de garoto que com 12 anos parecia ter nos ombros 30 anos. 

- Não devo deixá-los em suas zonas de conforto - disse o Sr. A., sob protesto geral. - Vocês não vão trabalhar com seus amigos quando estiverem lá fora, na selva urbana. Na maioria das vezes, será uma loteria. Ás vezes vocês vão trabalhar com pessoas que nem mesmo gostam. Vocês precisam ser adaptáveis, precisam estar preparados para mudanças, desafios, precisam...A turma soltou um murmúrio coletivo, sabendo o que estava por vir.- Sim, sim, sim, vocês precisam ser contraintuitivos![...]Ser contraintuitivo era algo que o Sr. A. havia trazido consigo dos presídios e do serviço como oficial da justiça. Isso significava: ir contra seus instintos imediatos e naturais. "Agir e não reagir": esse era o seu mantra. Ser contraintuitivo era praticamente sua religião. 

     Frankie gostava de fazer lista mentais e quando estava nervoso essas listas o acalmavam, tiravam o foco do que de ruim estivesse pensando. Frankie também é apaixonado por pássaros, os desenha com frequência e gosta de tentar descobrir com que pássaro cada pessoa que conhece se parece. Frankie tem 3 tias-avós barulhentas e espaçosas, que o visitam com frequência e estão sempre agitadas e fazendo coisas. Frankie também tem um melhor amigo, Gigs, que é ótimo em não perguntar sobre sua vida - Gigs aceita o amigo e sua família do jeito que é. Aliás, para Gigs, seu único interesse é se tornar um famoso jogador de críquete.

     Mas a vida de Frankie realmente ganha sentindo quando conhece Sydney. Sydney sobe no ônibus da escola de repente, no meio do ano letivo, com seus dreds na cabeça, um pircing no nariz, roupas confeccionadas parecem que por ela mesma, e perguntas. Muitas perguntas. Sidney é uma "perguntadora" voraz. 

- Diga de uma vez - sussurrou Sidney. - quer ou não? Seja legal.O que era definitivamente legal, Frankie pensou, repentinamente compreendendo, era a forma como ela disse exatamente o que queria. Era incomum. Era revigorante. Ela era diferente de todas as garotas que ele conhecera antes. Ou garotos, para dizer a verdade. Ela parecia não ligar para o que as pessoas pensavam. Falava o que lhe vinha à mente. [...]Sydney era uma inquiridora insaciável; um fluxo contante saía de sua boca quando Frankie estava com ela. Ela tinha um saco sem fundo de perguntas sobre tudo e todos - Frankie, Gigs, Mamãe, Tio George, o gato, o cachorro, os vizinhos... ela era indecentemente curiosa. 

     E imediatamente Frankie se identifica com a nova garota maluca, que vive mudando de lar, pois sua mãe não para em cidade nenhuma. Só naquele ano ela já mudara mais de 5 vezes. Sua mãe era uma nômade. E Sydney não vai ficar de bico calado. Sydney vai querer saber. Por quê a mãe de Frankie não sai de casa? E por que Frankie nunca perguntou pra sua mãe o motivo? Por que em sua casa ninguém nunca levanta esse motivo? Frankie acredita que sua mãe já não sai de casa por pelo menos uns nove anos. NOVE ANOS! Não é muito tempo para alguém não sair de casa? Para alguém se quer pisar no quintal? Sua mãe parece um pássaro enjaulado. Um pássaro que não tem mais asas, não tem céu pra desbravar. Não tem vontade de voar.

     Basicamente este é o enredo do livro - Frankie tentando desvendar os problemas silenciosos que sua família finge não ter. E como não conversar com os filhos sobre o que acontece no lar pode deixá-los inseguros, com crises de pânico, filhos crescendo no escuro. Digo que é um livro sensível por conta destas provocações. Um livro que mexeu muito comigo. Uma leitura libertadora, feliz, insegura, livre, excitante - como um voo de pássaro.



Sinopse:

Não quero ter medo do mundo...

Frankie Parsons é um garoto inteligente, talentoso e faz listas para manter tudo sobre controle. No entanto, ele sente que alguma coisa está errada. Sua mente é inquieta e cheia de preocupações, seja com a ração da gata ou com as pilhas do detector de fumaça. Só quem compreende sua ansiedade e responde às suas perguntas é a mãe, uma mulher que há nove anos não sai de casa. E o mais estranho é que ninguém conversa sobre o motivo de ela viver como um pássaro engaiolado.

Mas a rotina de Frankie começa a mudar quando a confiante Sydney muda para a escola dele e invade o seu mundo com um jeito despreocupado e uma curiosidade irritante.

E é assim que Frankie, com a ajuda de sua implicante irmã, de Sydney e de Gigs, seu leal amigo, tentará desvendar segredos guardados a sete chaves e descobrir as recompensas de falar em voz alta o que antes estava calado.

As perguntas que não quero fazer foi vencedor do prêmio Livro do Ano na categoria Jovem Adulto na Nova Zelândia. Neste livro, a autora Kate De Goldi trata com sensibilidade e uma pitada de humor inteligente as preocupações da juventude, as relações familiares, as amizades e a necessidade de mudar para amadurecer.




5 comentários:

  1. Seja bem-vinda! Segui de volta! ;)

    Adorei esse livro!

    Ótima quarta!

    Beijo! ^^

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    1. Seja sempre bem vinda!!! Beijos!

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  2. Aí,que livro lindo!Depois dessa resenha preciso ler.Gostei da Sydney.Menina esperta😉

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    1. O livro é lindo mesmo! leia, você vai adorar! seja sempre bem vinda!

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    2. O livro é lindo mesmo! leia, você vai adorar! seja sempre bem vinda!

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:) :,( ;) :D :-/ :? :v X( :7 :-S :(( :* :| :-B ~X( L-) =D7 :-w s2 \m/ :p kk