Resenha - Mosquitolândia, de David Arnold


Livro: Mosquitolândia / Autor: David Arnold
Editora: Intrínseca / Gênero: Literatura Estrangeira / Romance / YA
Páginas: 352 / Ano: 2015
Skoob

Meu nome é Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem".

Gente, sério: que livro mais esquisito de lindo! rsrs... O livro é muito esquisito mesmo, desde o começo. Mas é lindo! e tem umas sacadas muito inteligentes sabe (tipo nosso querido John Green?... pois é, achei tão inteligente quanto). E essa capa é fenomenal né? O acabamento é bem diferente também, parece papel de carta grosso, tipo um papelão colorido, meio manchado, um diário que foi usado várias vezes. Aliás, um diário faz parte da narrativa desse livro também.

Eu não a conhecia direito, não não de verdade. Não sei qual era a sua cor favorita, seu filme favorito, de que tipo de música ela gostava ou se preferia lagos ou mar. Não sei sequer seu sobrenome. Mas talvez não sejam essas coisas que nos fazem amar alguém. Talvez, o amor seja mais sutil que isso".

     Mosquitolândia é o romance de estréia do autor David Arnold. E acho que já me tornei uma fã sabe? rsrs... espero que ele lance mais livros. 

     Este livro é altamente recomendado para os seres humanos não genéricos - somente estes vão entender as entrelinhas bem desenhadas e as esquisitices de Mim Malone. 

Sou uma coleção de esquisitices, um circo de neurônios e elétrons. Meu coração é o dono do circo; minha alma o trapezista, e o mundo minha platéia. Parece estranho porque é estranho, e é estranho porque sou estranha.

     Mim Malone está cansada de sua vida - está sedenta por respostas. E ao ser chamada à sala do diretor em uma manhã tranquila na escola, sua paciência chega ao limite. Ainda esperando na porta, vê seu pai e sua nova madrasta conversarem com o diretor e dizerem que sua mãe está doente, muito doente. Mim precisa agir - vai partir em viagem para encontrar a mãe, que parou repentinamente de escrever cartas e de fazer ligações. Rouba economias da madrasta (ela acha que Mim não observa nada, mas está redondamente enganada) em uma lata escondida de café e compra passagens de ônibus para procurar a mãe em Cleveland. Sem deixar recado, sem avisar ninguém, Mim se aventura em uma longa jornada para ter respostas. 

Acho que o que quero dizer é que aprendi a aceitar minha dor como uma amiga, seja lá qual forma ela assumir. Porque sei que é a única coisa que me diferencia da mais miserável das espécies: os genéricos".

     Sua trajetória se torna muito engraçada de acompanhar (Mim tem um jeito irônico de botar pra fora os pensamentos e ri muitas vezes com ela, mesmo nos momentos mais tensos). Mim conhece pessoas maravilhosas durante o percurso - e pessoas detestáveis também. Se mete em um entupimento de esgoto, em um trágico acidente, é quase morta por um cara nada bom, e por aí vai. Suas experiências a transformam. 

Minha mãe era o melhor despertador de todos os tempos. Toda manhã, sem falta, abria as cortinas para deixar a luz do sol entrar e sempre dizia a mesma coisa: - Abra os olhos Mary, e encare o mundo sem medo. - Bem assim. Era maravilhoso. 
     A primeira a conhecer é Arlete, que carrega consigo uma caixa de madeira e pretende entregá-la ao sobrinho. Arlete é uma senhorinha com cheiro de canela e cheia de vida, perceptiva, que acaba se tornando uma ótima amiga, mesmo segundo Mim, sendo velha. Também conhece no caminho o Walt, um menino especial que tem uma ingenuidade doce e cativante. E conhece também o lindo e estonteante Beck, que guarda consigo várias cicatrizes sentimentais também. Os personagens se entrelaçam, se constroem, se completam. 



Ele se apoia no cotovelo e olha para mim e... Meu Deus, as pessoas estão erradas quado dizem que os olhos são a janela da alma. Janelas não provocam mudanças, apenas revelam o interior de alguma coisa. E, se os olhos de Beck não estiverem me transformando - e estou falando de revirar cada centímetro dentro de mim, - então não sei de mais nada. 

     Adorei acompanhar a história de Mim que foi mandada para o Mississipi, cidade que acaba apelidando de Mosquitolândia, bem longe de sua mãe, com uma madrasta nova que é uma bruxa na sua opinião, que tem um pai que é medroso e a faz tomar medicações temendo a sanidade da filha, já que sua irmã e tia de Mim ouvia vozes e de como a falta de diálogo familiar abre um buraco dentro de pais e filhos. Para mim todas as confusões na qual Mim se mete dependem destes diálogos que não foram travados, de seus medos calados, de pais que mesmo presentes estavam ausentes. Um livro que te dá vontade de grifar quase ele todo, de tantas quotes legais, sacadas sensacionais. Mas é uma leitura que precisa ser digerida de forma lenta - não tente ler esse livro apressadamente. Ele é sutil, você precisa lê-lo com olhos lentos e que apreciam. 

Se você está lendo isso, certamente se interessou pelas minha esquisitices. Eu sou Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem. Escrevo para amarrar as pontas soltas do meu cérebro, para não sucumbir a loucura do mundo, sabe? É mais barato que remédios. Uma esquisitice só não faz verão, certo? Sou uma anomalia! É por isso que sou cega de um olho, tenho uma epiglote bem nervosa, tomo remédios controlados (meu pai acha que sou louca, acredita?) tenho uma maquiagem de guerra (quem não tem?). 

     Os diálogos que Mim trava com um diário que a acompanha durante sua aventura em busca da mãe também é ótimo. Ela escreve cartas direcionadas a Isabel. E faz delas seu diário de vida. Suas anotações são uma forma de ligar suas pontas soltas. Escrever pode ser libertador. E ler também - por isso o recomendo. Você vai se apaixonar por Mim, por Walt, por Arlete, por Beck, assim como eu. E assim como Mim declara: "às vezes, uma coisa só tem validade depois que é dita em voz alta", então digo: LEIA ESTE LIVRO!

Câmbio e desligo, Mary Isis Malone.
A protagonista que me cativou.



Sinopse:
“Meu nome é Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem.” Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Missis - sippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente. Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demô- nios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade. Com uma narrativa caleidoscópica e inesquecível, Mosquitolândia é uma odisseia contemporânea, uma história sobre as dificuldades do dia a dia e o que fazemos para enfrentá-las.




4 comentários:

  1. Oi, oi Michelle!
    Não conhecia esse livro, mas adorei a resenha e amo personagens cativantes, acho que gostaria bastante dela e de sua história;
    Abraços! ;)
    Borboletas de Papel | Fanpage

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    1. A personagem principal é uma graça! s2

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  2. Eu já ouvi falar do livro e quero muito ler desde então. O chato é o nome da personagem que me incomoda muito quando estou lendo, já que o apelido não é comum. Fora isso, amei a capa, a sinopse e tudo o que a autora trás no livro. A resenha está linda!
    Beijo.
    Leitora Encantada

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    1. Obrigada Miriã, seja sempre bem vinda aqui!
      abraços!

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:) :,( ;) :D :-/ :? :v X( :7 :-S :(( :* :| :-B ~X( L-) =D7 :-w s2 \m/ :p kk