Resenha : O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos


Livro: O Meu Pé de Laranja Lima
 Autor (a): José Mauro de Vasconcelos
Editora: Melhoramentos / Gênero: Literatura Brasileira
Páginas: 192 / Ano: 2013
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     Oi, oi gente! tudo bem? Hoje a resenha que trago é desse livro que fez parte da infância de muita gente, inclusive da minha. Trago para vocês O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. A edição que li foi da Melhoramentos, e está linda por sinal. Pra falar a verdade eu nunca tinha lido o livro inteirinho. Lembro que na escola trabalhávamos com alguns trechos em sala de aula e sou grata por ter lido esse livro somente agora. Porque quando a gente é muito novo ainda não tem muita maturidade na leitura, então trechos que me fizeram encher os olhos agora, provavelmente não teriam sido tão marcantes se eu tivesse lido em um outro momento.


     O livro trás a história de Zezé (nota-se que é meio biográfico o livro, já que o personagem principal é diminutivo de José e o pai de Zezé no livro tem sobrenome Vasconcelos, como o autor). Zezé é uma criança peralta, como qualquer criança. Mas tem como principal companheira a pobreza extrema. Nenhuma criança deveria ter como companheira a pobreza. Sua família rala todos os dias para conseguir trazer algum tostão em casa. E com o pai desempregado, parece que as coisas pioraram em graus muito elevados. 

     Por ser um garoto peralta, Zezé é o saco de pancada da família. E gente, fiquei com o coração muito apertado, porque esse menino apanha demais nesse livro. Puxa vida, isso foi o que mais me deixou com o coração partido. Porque esse negócio de bater não leva a nada. A gente acompanhava o pensamento do menino logo depois das surras, e só no que ele pensa é em vingança, dor, fúria e coisas negativas. Quando que apanhar constrói o caráter de alguém? Eu tenho que pra mim, nunca. A situação difícil da família também era um fator - o pai, sempre desgostoso e sem dinheiro, via em Zezé sua forma de se rebelar contra o mundo. Uma das surras quase matou o menino, inclusive. Foi muito triste de ler.


     Zezé, para fugir desse ambiente grotesco no qual crescia inventava seu mundo. Tinha uma sensibilidade fora do comum, e muitas frases suas têm a capacidade de deixar qualquer leitor de queixo caído, e com vontade de abraçá-lo. Dá vontade de trazer Zezé pra casa e cuidar dele. E foi isso que quase fez o seu Portuga, um senhor taxista na cidade, que se comoveu com a história do garoto e o levava para cima e pra baixo no seu carro cuidando dele e dando atenção. Nesta relação podemos ver claramente que o que fez Zezé se apaixonar por Portuga foi seu carinho, sua atenção, não as coisas que ele lhe dava. Criança só precisa disso - ser amada. Não precisa de mais nada.


- Quem sabe ano que vem... Por que você não aprende e não faz como eu? - E como é que você faz? - Não espero nada. Assim a gente não fica desapontado.

     Quando sua família se muda para uma nova casa, é no Pé de Laranja Lima que Zezé descobre um novo amigo. É ele que ouve suas travessuras, é nele que Zezé brinca todos os dias e o seu Pé de Laranja Lima que lhe dá as maiores alegrias na vida. Ler sobre isso me deu uma saudade dos pés de frutas que eu tinha no quintal de casa! A gente sobia mesmo, em todos eles. E poucas crianças agora nesse mundo de concreto em que vivemos terão o prazer de poder subir em árvores. Espero que meus filhos possam ter esse tipo de momento e vou fazer de tudo para que possam.


    O livro é sentimental, é reflexivo, é lindo! Mas também triste, dolorido e real. Recomendo a leitura, para quem quer se emocionar e cavalgar nas histórias imaginárias de Zezé e descobrir como se faz para driblar as coisas ruins deste mundo.


Agora sabia mesmo o que era a dor. Dor não era apanhar de desmaiar. Não era cortas o pé com caco de vidro e levar pontos na farmácia. Dor era aquilo, que doía o coração todinho, que a gente tinha que morrer com ela, sem poder contar para ninguém o segredo. Dor que dava desânimo nos braços, na cabeça, até na vontade de virar a cabeça no travesseiro. Ás vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum. A verdade (...) é que a mim contaram as coisas muito cedo.  



Sinopse:
Na obra juvenil mais conhecida de José Mauro, a pobreza, a solidão e o desajuste social vistos pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos. Nascido em uma família pobre e numerosa, Zezé é um menino especial, que envolve o leitor ao revelar seus sonhos e desejos, por meio de conversas com o seu pé de laranja lima, encontrando na fantasia a alegria de viver.




1 comentários:

  1. Foi o livro que mais marcou minha infância e o resto da minha vida. Como me identifiquei com Zezé! De família numerosa e pobre, muita semelhança... Meu pai também era muito rigoroso.Gostava de imaginar e transformar as coisas, para fugir das lembranças tristes, de uma solidão que me atingia. O amor, a sensibilidade desse menino, principalmente o cuidado com as coisas e pessoas que amava me encantavam. Pena que criança sofre tanto quando não é entendida. Que lindo o amor e intimidade com o passarinho que morava dentro dele e do pé de laranja lima que respondia o que Zezé queria ouvir. Natal, que triste! Portuga, quanto marcou a vida de Zezé. É um livro lindo, onde mostra as peraltices de uma criança e o tamanho de seu coração. Entendi muitas crianças, na escola em que trabalhei 27 anos, porque me lembrava de Zezé. Às vezes, me sentia como o menino que levou uma flor, ainda que furtada, para sua professora, levar o Luizinho para ver se conseguia um presentinho de natal, ainda que tivesse que carregá-lo no colo, com o pé cortado, porque não recebiam presente de Papai Noel. Portuga e a Godoia foram as pessoas que mais compreenderam Zezé. É muito choro de soluçar e muitas gargalhadas com suas peraltices. Meu pé de Laranja Lima é literatura brasileira. Temos que nos orgulhar de um escritor retratar tão bem a alma de uma criança incompreendida e de pessoas que agem mal devido as circunstâncias. Mas também teve o pé de laranja lima e o Portuga que fizeram tão bem a Zezé e que fez com que ele conhecesse a realidade da vida muito cedo. Amo de paixão e o recomendo às pessoas que gostam de lidar com crianças.

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