Resenha : Todas as mulheres, de Fabrício Carpinejar


Livro: Todas as mulheres
 Autor (a): Fabrício Carpinejar
Editora: Bertrand Brasil / Gênero: Poesia / Poema
Páginas: 112 / Ano: 2015
Skoob

Oi oi gente! Tudo bem com vocês? Hoje trago a resenha do livro Todas as Mulheres, de Fabrício Carpinejar. Lançado pela editora Bertrand Brasil, é um livro curto, pra se ler em uma tarde, com letras ótimas para serem lidas e páginas amareladas. 

Já li muitos livros do Carpinejar, mas desta vez a experiência foi em poesia, não em crônica, como é de costume do autor. Neste livro não vamos encontrar vários poemas, mas um único, um tipo de poema interligado. É quase uma biografia também, porque o autor nos traz vários elementos de sua vida e o poema é como se estivesse narrando sua morte e a imaginando - imaginando quais das mulheres de sua vida estarão chorando sua partida aos pés do caixão.


"Hoje escureci, para não amanhecer.
O oceano tem uma noite dentro de si
mais escura do que o céu.
Meu mar sem barcos e estrelas,
com os segredos desabitados ao fundo".


Nos poemas Carpinejar relata que tantas fizeram parte de sua vida, mas pouco sabe das que realmente se importarão e permanecerão com lágrimas nos olhos quando não o tiverem mais vivo. "Depois de tanto viver, quem será a minha viúva? e como ela vai sentir minha perda?" são estas as principais indagações que ele trará no livro. 


"Até pareço satisfeito e bonito.
Mas, de longe, todo morcego é um pássaro". 


Poemas que relatam a dor, de repente, de se ver morrendo sozinho. Quantos de nós não temos essa angústia? Será que realmente vou ser importante para alguém quando partir? Será que está pessoa estará ali, por mim, me velando, me olhando, sentindo a perda, pegando em minhas mãos, dando-me um último beijo na testa? E de palavra em palavra vamos acompanhando essas incertezas do autor, que com pensamentos suaves vai cavando sua própria cova. 


"Minha pequena, não se engane,
o rio somente corre lento para quem não está dentro.
Já nós, imersos na correnteza,
vivíamos apressados de afogamento".


Confesso que prefiro ler suas crônicas. A experiência em poesia não me fisgou muito. Foi um texto bem diferente, conseguimos observar muito de Carpinejar na escrita, mas achei tão melancólico, como se fosse realmente um adeus. Talvez este era o seu momento: de auto-reflexão, de deixar o sentimento real transparecer e isso ele o fez com muita propriedade. Prefiro, porém, suas crônicas. Mas te convido a conhecer também este lado do autor, para quem é fã, será um outro modo de ler Carpinejar. 


"Quem será a minha viúva,
a que alisará a minha escrivaninha
procurando por algum bilhete de despedida
ou a que porá a biblioteca abaixo em acesso de cólera?"



Sinopse:
Concebido como um poema de poemas interligados, Todas as Mulheres apresenta um dos mais verticais mergulhos íntimos da contemporânea literatura brasileira e marca também a volta de Fabrício Carpinejar à poesia como quem nunca tivesse partido, sem deixar de ser ao mesmo tempo novo na acepção mais poderosa do termo, o novo quando audácia. Entre tantas manifestações do feminino, Carpinejar redescobre nos amores vividos o primeiro, enquanto busca por aquele que será o último.

2 comentários:

  1. Oi menina!

    no meu caso, não tive ainda experiência em relação ao carpinejar com crônicas, mas tive com poesias e gostei muito. Acho ele de uma sensibilidade incrível *-*

    beijo
    beinghellz.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Hellz, tudo bem? As crônicas dele são maravilhosas! Eu adoro os livros dele! Grande abraço! bjos!

      Excluir
:) :,( ;) :D :-/ :? :v X( :7 :-S :(( :* :| :-B ~X( L-) =D7 :-w s2 \m/ :p kk