Resenha : Romance entre rendas, de Loretta Chase


Livro: Romance entre rendas
 Autor (a): Loretta Chase
Editora: Arqueiro / Gênero: Romance de Época
Páginas: 320 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Submarino
Série as Modistas - Livro 4

Leia a resenha do primeiro livro da série clicando aqui >> Sedução da Seda <<

Leia a resenha do segundo livro da série clicando aqui >> Escândalo de Cetim <<

Leia a resenha do segundo livro da série clicando aqui >> Volúpia de Veludo <<

Resenha realizada pela colaboradora Ana Paula dos Santos

           As modistas foi, para mim, um deleite de série. As personagens femininas são fortes, determinadas e um tanto engraçadas. As masculinas são firmes, espirituosas e perspicazes. Uma ótima combinação. Fiquei apaixonada pelos primeiros livros, e achava um tanto desnecessário um livro com a história de Clara. Achava que ela não seria tão interessante quanto as irmãs Noirot. Bem, eu estava enganada.Romance entre rendas é delicado, engraçado e tem uma bela carga de aventura.


Lady Clara é uma jovem extremamente destemida e determinada em busca de um algo a mais em sua vida. Ela quer mais do que obedecer às regras e convenções que a sociedade e sua posição social lhe impõem. Quando decide ajudar Bridget Coppy a encontrar seu irmão, Toby, que estava envolvido com uma perigosa gangue, Clara não esperava reencontrar Oliver Radford, que conhecera quando criança.

Radford estudou com o irmão de Clara em Eton e, apesar de pertencer à uma família nobre, não é o próximo na linha de sucessão ao título, e nem se importa com isso. Ele é um advogado que está tendo sucesso na profissão. Ele é um homem inteligente, que gosta de ler, tem a mente afiada, e é divertido.

Quando Clara conta a Radford o por quê precisava de sua ajuda, ele achou que a missão era inútil, uma perda de tempo, porém, de alguma forma, Lady Clara soube despertar seu interesse, e eles embarcam nesta aventura.

Se ele a procurasse, ela pensaria que ele estava disposto a ajudar. E aquela era uma missão inútil. O final não seria como ela esperava. Meninos pobres se perdiam na vida o tempo todo e o melhor que ele podia fazer era poupá-los da forca. O que nem sempre conseguia.Ele deixaria a história de lado, como a aconselhara a fazer.Era a única atitude racional a tomar.”

A busca por TobyCoppy é empolgante e divertida. A interação entre Lady Clara e Radford, mais conhecido como Corvo, é dinâmica, os dois são muito inteligentes, e Clara recebe ajuda de sua fiel empregada Davis, que precisa lidar com mais uma loucura da patroa. É durante a busca pelo menino que os sentimentos entre Clara e o Corvo vão aflorando, mas para ele uma relação entre os dois seria impossível devido as diferenças de posição social entre eles. Apesar disso, a atração entre eles é inegável.

Desta vez, ela estava provocando danos. A pressão suave de sua boca fez seu corpo vibrar e seu coração saltar, levando calor aos seus músculos. Seu cérebro se encolheu, tornando-se pequeno demais para formar um pensamento coerente. Em vez de pensar, ele sentiu – a deliciosa força de sua boca, o calor de seu corpo se comprimindo contra o dele, o peso de seu corpo de curvas perfeitas em seu colo.”

Em um determinado momento da história, Lady Clara fica muito doente, e Davis consegue comunicar o fato ao Corvo, que vai ao encontro dela para ajudar na recuperação. Ninguém sabe por onde Clara e Radford estiveram, por isso ele pode ajudar. Este contato diário, inflama mais os sentimentos entre os dois, mas ele continua a sentir que as barreiras entre eles são altas demais para serem ultrapassadas. Como o casal conseguirá vencer a oposição que a família dela certamente colocará ao relacionamento? Que perigos mais enfrentarão?



Romance entre rendas é, na minha opinião, um tanto diferente dos três primeiros livros, mas não deve nada a eles. É tão bom e delicioso de ser lido quanto os outros, e a série como um todo deixará saudades. Vale a pena.
 

Sinopse:
“Como sempre, Loretta Chase construiu um romance sensual e inteligente, com dois personagens que se complementam. O toque de mistério faz desta história uma leitura irresistível.” – RT Book Reviews

“Mais um romance inesquecível da sempre perfeita Loretta Chase.” – Library Journal

Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa com propostas de casamento já está irritando a jovem.

Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma obra social, ela depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, sombrio e enervante advogado Oliver Radford.

Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, além de linda, é inteligente, sensível e corajosa.

E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas de seus próprios desejos?

Em Romance entre rendas, livro que encerra a série As Modistas, Loretta Chase nos brinda com uma história envolvente e cheia de paixão, com personagens fortes e marcantes.

Resenha : O leitor do trem das 6h27, de Jean-Paul Didierlaurent


Livro: O leitor do trem das 6h27
 Autor (a): Jean-Paul Didierlaurent
Editora: Intrínseca / Gênero: Romance 
Páginas: 176 / Ano: 2015
Skoob


          Oi gente linda! Tudo bem com vocês? Hoje a resenha que trago é do livro O leitor do trem das 6h27 da Editora Intrínseca. Li esse livro porque vi recentemente uma avaliação muito legal dele, e fiquei super curiosa. Aproveitei uma promoção na Amazon e comprei o livro por menos de R$ 10,00. 


        No início, nas primeiras páginas pensei que iria me arrepender de o ter comprado. Porque ele mal chegou e eu já fui ler sabe? Passei na frente de todos os outros hahaha. Ele é menor que um livro normal, e bem rapidinho de ser lido, mas fiquei meio confusa com o começo, acho que o que me atrapalhou foram os nomes dos personagens em francês e nomes de lugares em francês. Fiquei com certa dificuldade de decorar os nomes, quando o autor os citava. Mas depois de passado este desconforto, eu entrei de cabeça na história.

        Não é um livro que vai mudar completamente sua vida, não é uma história extremamente elaborada, mas é tão suave e tão simples que fiquei rendida.

        No livro vamos conhecer Guylain (olha aí que nome difícil pra um personagem hahaha – e esse nome é masculino). Ele trabalha em uma empresa que destrói livros que já não cabem nas prateleiras das livrarias. Esses livros estão pegando espaço, precisam ser destruídos porque ninguém mais os compra e precisam liberar novos lugares para livros novos que estão chegando. Corta o coração de Guylain, ver todas aquelas páginas destruídas, a máquina que é chamada de "COISA" destruir linhas e mais linhas de lindas histórias. Não é permitido levar os livros para casa, mas Guylain se arrisca todos os dias e no final da trituração rouba uma página ou duas que sobrou intacta, no fundo da máquina. Essa folha salva vai servir como história para os passageiros do trem das 6h37 do dia seguinte.



Para todos os passageiros presentes na composição, ele era o leitor, um sujeito estranho que, todos os dias da semana, lia em voz alta e inteligível as poucas páginas tiradas de sua bolsa. Eram fragmentos de livros sem qualquer relação uns com os outros.

        Sim, porque Guylain lê essas páginas para os passageiros do trem, como forma de diminuir os percalços da manhã, para diminuir o tédio, para alegrar um pouco a trajetória. Não importa o que falam as folhas, pode ser receita de bolo, uma página de um romance, um trecho de um terrível conto policial. Guylain lê todos os dias. E os passageiros prestam bastante atenção. Eles esperam por essas manhãs de leitura.

        Certo dia duas senhoras pedem algo inusitado a Guylain. Elas gostam tanto de ouvi-lo no trem das 6h37 que pedem que ele faça uma leitura especial na casa das duas senhoras, porque elas já estão velhas e acabam pegando o trem apenas para escutar Guylain lendo. Guylain acha o pedido de imediato meio esquisito, mas não consegue recusar. Depois descobre que a casa das duas senhoras na verdade é uma casa de repouso e conta com mais velhinhos além delas duas. Os velhinhos adoram tanto a leitura de Guylain, que ele acaba voltando no outro sábado (sábado foi o dia escolhido para as leituras) e no outro, e também no outro. Acaba por se tornar um prazer ler para esses velhinhos.


       Paralela a essa nova novidade na vida de Guylain, um outro elemento bem interessante na história surge: um pen drive. Um pen drive esquecido no trem e resgatado por Guylain. Ele o leva para casa e resolve abrir para ver se em algum arquivo descobre informações do dono do dispositivo, para que possa devolver. Mas o que encontra são pequenos arquivos, vários arquivos, de uma moça que trabalha na limpeza de um conjunto de banheiros em um grande shopping. Ela faz tipo um diário e Guylain lê tudo o que ela deixou ali, de sua vida do dia a dia. Guylain se interessa tanto que só pensa na moça. Mas como descobrir o paradeiro dela se onde mora há tantos locais como os descritos por ela nas páginas desse pequeno diário eletrônico? E encontrá-la fica mais difícil à medida que ele lê e relê os arquivos e não encontra muitas descrições sobre a moça. Será que esse casal improvável terá um final feliz? Será que essa moça misteriosa realmente existe? Você vai descobrir ser ler o livro!



        Eu ameii a história, de verdade! Muito doce, muito apaixonante! Para quem gosta de ler é um livro ótimo, mas você precisa ler de uma forma bastante aberta, com vontade, para se deixar envolver. Ele é um livro com uma história bastante simples, mas super delicada e harmoniosa. Fiquei super contente com essa leitura, e recomendo para quem quer ler algo emocionantemente cotidiano, com gosto de café com leite, aquela bebida simples, mas que a gente não troca por nada todas as manhãs. Virou favorito!


Sinopse:
Um romance sensível sobre o poder dos livros e da literatura.

Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles é um solteiro na casa dos trinta anos que leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas dos dentes de metal da ameaçadora máquina que opera.
A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera. Um dia, Guylain encontra textos de um misterioso desconhecido que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida.
Com delicadeza e comicidade, Didierlaurent revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que os personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia cotidiana.

Resenha : Como se casar com um marquês, de Julia Quinn


Livro: Como se casar com um marquês
 Autor (a): Julia Quinn
Editora: Arqueiro / Gênero: Romance de Época
Páginas: 320 / Ano: 2017
Livro 2 - Os agentes da Coroa
Skoob / Amazon / Submarino

        Oiee, tudo bem gente? Olha que beleza eu trouxe pra vocês na resenha de hoje: Como se casar com um marquês, da Diva Julia Quinn. Desde que eu descobri essa mulher não me canso de ler os livros dela hahah! Este é o segundo livro de uma duologia publicada pela editora Arqueiro, intitulada Agentes da Coroa. Achei bem legal a proposta da autora de lançar dois livros, com personagens que se entrelaçam no enredo, e fiquei super contente que a editora Arqueiro lançou um seguido do outro, porque quando eu terminei o primeiro fiquei morrendo de vontade de ler o segundo.
        É que neste livro vamos ter como protagonista o marquês de Riverdale, o James, e ele foi um personagem que amei demais no primeiro livro. Este só me fez ficar ainda mais apaixonada por ele.
        Bom, como um bom romance de época, vamos ter uma jovem dama em apuros. Elizabeth Hotchkiss está a cinco anos tentando se virar na vida para manter a família unida e os irmãos alimentados. É que seus pais morreram, um logo seguido do outro, e apesar de ter um título, Elizabeth não tem mais nenhum tostão, pois seu pai não os deixou nada confortáveis na vida. Para conseguir estudar o irmão e debutar as suas duas irmãs na alta sociedade vai precisar bem mais do que seu salário como dama de companhia da senhora lady Danbury (siiimmm, ela está de volta! Quem leu a saga dos Bridgertons sabe muito bem quem é lady Danbury e neste livro vamos conhecer muito mais dessa senhora nada convencional e impertinente).
        Pois Elizabeth precisou trabalhar e nunca viu problema nenhum nisso, aliás, gosta muito de lady Danbury, mas seu salário é realmente baixo. Outra alternativa é se casar, mas os pretendentes que surgiram não são lá muito legais. Um deles inclusive é velho e nojento. Elizabeth precisa de dinheiro, mas não está disposta a se submeter a qualquer coisa.
        É então que um livro lhe chama a atenção na biblioteca de lady Danbury. Um manual intitulado: “Como se casar com um marquês”, um passo a passo de como fisgar um figurão da alta sociedade. Elizabeth resolve levá-lo para casa, só para dar uma lidinha básica, sem muita pretensão e sua irmã se empolga com o conteúdo do livro. São práticas até que bastante fáceis e talvez e  talvez Elizabeth consiga as colocar em prática. Mas como ela irá treinar suas novas armas da sedução se ela fica o dia todo sendo dama de companhia de lady Danbury?
        Um novo administrador que surge a pedido de lady Danbury para tratar de assuntos de sua residência parece ser uma ótima oportunidade. Elizabeth sabe que é errado brincar com os sentimentos das pessoas, mas não vê outra possibilidade a não ser a de treinar com James, o novo administrador.
         O que Elizabeth não sabe é que James na verdade é sobrinho de lady Danbury e está disfarçado na mansão a procura de um chantagista que vem tentando subornar sua tia. Já que James foi agente de guerra, sabe muito bem como procurar um chantagista.
       No final das contas, Elizabeth acha que estará tentando seduzir um simples administrador, mas que na verdade é realmente um marquês. Será que essa brincadeira de gato e rato vai ter um final feliz? Você só saberá lendo ;)
Era por causa de James, percebeu. Algo nele a deixara à vontade. Ele tinha um sorriso fácil, uma risada confortante. Há nele algo como um lado perigoso e absolutamente misterioso, e, ás vezes, James olhava para ela de uma forma ardente que sem dúvida tornava o ar mais denso, de um jeito bom. Apesar disso, era quase impossível se sentir desconfortável na companhia dele.

        Veredicto: Olha, sou suspeita porque amo romances de época e amo o jeito que a Julia Quinn escreve. Achei super gostoso de ler esse romance, era a leveza que eu estava precisando para o momento. O personagem James é apaixonante, adorei a personalidade dele e o carinho com o qual diversas vezes ele tratou Elizabeth. Fiquei apaixonada por esse marquês também hahah, muito fofo gente. E fiquei muito contente de ter um novo encontro com lady Danbury e conhecer mais de sua história. O livro é muito divertido, com muitas tiradas de lady Danbury o que torna a narrativa ainda mais leve e envolvente. Os dois personagens do primeiro livro Caroline e Blake também aparecem neste e trazem uma dinâmica toda especial ao final do livro. O livro talvez seja previsível, mas adoro esse tipo de previsibilidade hahah. Achei muito legal a autora fazer Elizabeth acabar se apaixonando por James, sem saber ainda que ele era um marquês e depois dar algumas reviravoltas na história. Elizabeth é uma personagem cativante também e muito estabanada, mas o marquês foi quem roubou o meu coração! definitivamente hahah. Recomendo para quem gosta de um belo romance, que espera suspirar com uma história leve e colorida como o amor deve ser. 
O amor é um presente precioso, e vocês fariam bem se não o jogassem fora por causa de um orgulho tolo. 

Capas do livro pelo mundo:

 
Sinopse:
 
Considerada “a rainha dos romances de época” pela Goodreads, os livros de Julia Quinn atingiram a marca de 10 milhões de exemplares vendidos no mundo.
 
"Julia Quinn é nossa Jane Austen contemporânea.” – Jill Barnett

Elizabeth Hotchkiss precisa se casar com um homem rico, e bem rápido. Com três irmãos mais novos para sustentar, ela sabe que não lhe resta outra alternativa.

Então, quando encontra o livro Como se casar com um marquês na biblioteca de lady Danbury, para quem trabalha como dama de companhia, ela não pensa duas vezes: coloca o exemplar na bolsa e leva para casa.
Incentivada por uma das irmãs, Elizabeth decide encontrar um homem qualquer para praticar as técnicas ensinadas no pequeno manual.
É quando surge James Siddons, marquês de Riverdale e sobrinho de lady Danbury, que o convocou para salvá-la de um chantagista. Para realizar a investigação, ele finge ser outra pessoa. E o primeiro nome na sua lista de suspeitos é justamente... Elizabeth Hotchkiss.
Intrigado pela atraente jovem com o curioso livrinho de regras, James galantemente se oferece para ajudá-la a conseguir um marido, deixando-a praticar as técnicas com ele. Afinal, quanto mais tempo passar na companhia de Elizabeth, mais perto estará de descobrir se ela é culpada.

Mas quando o treinamento se torna perfeito demais, James decide que só há uma regra que vale a pena seguir: que Elizabeth se case com seu marquês.

Resenha : O inquisidor, de Catherine Jinks


Livro: O inquisidor
 Autor (a): Catherine Jinks
Editora: Contexto / Gênero: Romance Histórico
Páginas: 400 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Submarino

        Oi oi gente! Tudo belezinha? Espero que sim! Hoje a resenha que trago aqui para vocês é de um tipo de romance que estou pouco acostumada a ler. Recebi esse livro em parceria com a editora Contexto e devo confessar que não imaginava que esse livro fosse me prender tanto. O Inquisidor, de Catherine Jinks é aquele tipo de livro capaz de te transportar através da história e de esmiuçar com detalhes riquíssimos (e não enfadonhos) uma França de 1318 extremamente incrustada nos seios da religião católica.
- Irmão, a maior de todas as derrotas é aquela planejada por traidores – afirmou padre Augustin.
        O selo Marco Polo é uma nova aposta da editora para publicação de romances históricos. Achei que iria me deparar talvez com um livro de detalhes muito rebuscados e de difícil leitura, mas pelo contrário, a escrita apesar de remontar a uma época muito antiga, não peca nos excessos de palavras difíceis o que facilitou muito eu me conectar com a história.
        Lógico que, alguns termos muito próprios da época como “os hereges” (que ou aquele que professa doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja Católica como dogma; que ou aquele que professa uma heresia) ou o “Santo Ofício” precisei pesquisar um pouquinho sobre, para me situar melhor enquanto lia o livro. Mas nada que atrapalhe o entendimento, apenas termos que precisei me acostumar para avançar no conteúdo.
Padre Jacques chamava os hereges de “amontoado da escória”, suas casas de “antros pestilentos”. Ele não era, como diria Santo Agostinho, daqueles que unem seu coração ao dos anjos.
        Esse livro pode ser tudo: uma grande história de suspense; uma grande história de investigação; uma grande história de amor; uma grande história de fé. Esses temas se convergem e se intercalam, o que pra mim soou extremamente satisfatório. Gosto de histórias com grandes temas e divergentes, assim a leitura não fica nem um pouco monótona e agrada a vários tipos de leitores.
        O nosso protagonista é um padre. Padre Bernard. Ele narra todos os acontecimentos do livro como se estivesse confessando seus pecados a alguém. Mais à frente vamos descobrir a quem (e não vou contar quem, você terá que descobrir lendo o livro hahah). Padre Bernard é um inquisidor do Santo Ofício (o chamado Santo Ofício ou Inquisição foi uma instituição formada pelos tribunais da Igreja Católica para perseguir, julgar e punir pessoas acusadas de terem se desviado de seus ensinamentos – os hereges). Mas ele não gosta de utilizar em suas inquisições muito de força física e flagelo. Ele opta mais por manter em cárcere seus prisioneiros e ter conversas francas sobre o que está acontecendo. Quando seu superior falece e um novo inquisidor chefe chega a Lazet - o padre Augustin - parece que as coisas começam meio que sair dos trilhos.
        Padre Augustin chega questionando tudo. Ele quer levantar casos, verificar papéis, acompanhar de perto como o trabalho em Lazet está sendo realizado pelo Santo Ofício. Bernard começa a se sentir intimidado e um tanto incomodado em seguir as novas regras impostas por Augustin, mas não está na posição de questionar seus métodos.
        Todos nós sabemos que quem muito procura, acha. E Padre Augustin achou: uma terrível morte. Eles e seus guardas foram emboscados em uma clareira e brutalmente assassinados. Pedaços de seus corpos foram espalhados por toda Lazet, e foi difícil para os moradores das redondezas acreditarem no acontecido. Bernard ficou extremamente intrigado e não poderia deixar de investigar o ocorrido. Mas à medida que passa a investigar a morte de Augustin e sua relação com quatro mulheres que vivem suas vidas tranqüilas em uma casa distanciada em Lazet, descobre que talvez Padre Augustin seja detentor de alguns segredos.
        E em meio a mortes estranhas, um novo interesse por uma das mulheres da casa, a Johanna, e a vinda de um novo chefe inquisidor ignorante chamado Padre Pierre-Julien, Bernard vai ter que lutar com diversos acontecimentos para tentar salvar a sua pele e de suas novas protegidas.
        Olha, realmente fiquei presa nessa leitura. Eu queria devorar as páginas para saber o que iria acontecer com todos os envolvidos, mas principalmente com Bernard e as quatro mulheres, Johanna, Babilônia, Alcaya e Vitalia. Esses personagens foram muito marcantes para mim, e a autora soube explorar muito bem a inferioridade das mulheres na época (como dói ler linhas tão cruéis sobre nós mulheres), o fanatismo em relação ao que se entendia por pecado e não pecado dentro da igreja católica, e o contexto da época em geral. Esse livro é uma tremenda aula de história, com um grande incentivo: mortes a serem descobertas, segredos a serem revelados, amores improváveis que surgem. Um livro que fugiu do meu habitual, que me fez sair da zona de conforto e ler algo mais denso. Me senti engolida pela história, de uma forma muito boa. Recomendo essa leitura para quem gosta de história, mas não somente – para quem gosta de uma boa narrativa.
A busca pela verdade é tão longa e dolorosa quanto aquela por um homem em pais estrangeiro. O país precisa ser explorado, com muitos caminhos trilhados e muitas perguntas feitas, antes de conseguir encontrá-lo.  


Esse livro foi ambientado em: França, 1318

Principal tema: Santo Ofício
(abaixo algumas ilustrações que sugerem como eram feitas as inquisições de Inquisidores aos hereges pelo Santo Ofício)








Sinopse:
Em 1318, padre Augustin, um novo inquisidor, chega a Lazet, na França, disposto a rever processos antigos do Santo Ofício. Pouco tempo depois é brutalmente assassinado e seu subalterno, Padre Bernard, é encarregado da investigação. No entanto, ao tentar proteger quatro mulheres, ele próprio se torna suspeito por seus pares. Acusado de assassinato e perseguido como herege, Bernard terá que lutar por sua vida e a de suas protegidas. As violências praticadas em nome da religião, o intrincado jogo de interesses dos poderosos, o fanatismo, a caça às bruxas e as relações marcadas por luxúria, amor e traição fazem deste romance histórico uma narrativa arrebatadora e – por que não? – terrivelmente atual. 

Amor, crime, traição, fanatismo: uma trama surpreendente em um livro arrebatador sobre um dos períodos mais instigantes da história.

Resenha : Kindred, Laços de Sangue, de Octavia E. Butler


Livro: Kindred, Laços de Sangue
 Autor (a): Octavia E. Butler
Editora: Morro Branco / Gênero: Ficção / Drama
Páginas: 432 / Ano: 2017
Skoob / Amazon / Saraiva

        Oi pessoas! Tudo bom? Olha a mega novidade na resenha de hoje: o livro Kindred, Laços de Sangue de Octavia E. Butler, publicado finalmente no Brasil pela editora Morro Branco, que na minha opinião fez um feito incrível ao traduzir essa obra emblemática. Afinal, o Brasil foi o último país na América a abolir a escravidão. Nosso passado é bastante sombrio e uma obra como Kindred deveria já ter figurado por aqui, para que o tema fosse debatido em escolas e rodas de conversa.
        Vamos começar conhecendo um pouquinho da história da autora? Octavia E. Butler (1947 a 2006) é mundialmente conhecida por suas obras de ficção, sendo Kindred a mais conhecida delas. Fez muito barulho em sua época, já que foi a primeira mulher (e negra) a fazer sucesso com livros de ficção, meio dominado prioritariamente por homens. Podemos dizer que Octavia foi extremamente importante para que barreiras fossem quebradas e seu sucesso se deve muito a sua força de vontade e desejo de fazer a diferença. Ao final deste livro publicado pela Morro Branco inclusive encontramos uma carta da autora motivacional. Sabe aquelas cartas de final de ano que escrevemos com nossas intenções para o futuro que vai começar? É mais ou menos isso que a autora escreveu, uma carta para si, motivacional, dizendo que ela iria se tornar uma autora Best-Seller e que ajudaria muitas pessoas pobres e negras com o dinheiro que ainda ganharia em sua vida. Kindred, um dos seus livros mais traduzidos foi escrito em 1979 e é muito utilizado em estudos nos Estados Unidos, pois levanta a temática escravidão.
        Kindred é basicamente uma obra de ficção. A gente sabe que viagens no tempo não são reais (ainda né? Quem sabe um dia! Haha). E nossa protagonista é uma viajante do tempo. Dana e Franklin vivem suas vidas normalmente, em pleno ano de 1976. Dana é negra e Franklin é branco, mas em 1976 a escravidão já foi abolida há muito tempo e casamentos entre brancos e negros são comuns. Certo dia, Dana misteriosamente sente uma vibração (se sente tonta). Seu marido Franklin percebe também uma áurea estranha ao redor e de repente Dana simplesmente some. Some por três minutos e retorna. Dana foi transportada para o ano de 1819, em Maryland, uma época terrível para se voltar no tempo, se você é negro. Ela cai de repente perto de um lago e vê um garotinho se afogando. Apesar de não entender o que está acontecendo, Dana o salva e ao chegar sua mãe, Dana percebe que está com problemas. Porque ela é quase morta, por ter se aproximado de uma criança branca. E o susto da morte eminente a tele transporta para o tempo real novamente.
       Viver três a quatro horas no passado equivale a poucos minutos em seu tempo presente, então quando Dana começa a explicar ao seu esposo o que aconteceu, tudo parece muito absurdo. Até que acontece novamente e Dana parece compreender o que a leva de volta ao passado. Todas as vezes que esse garoto chamado Rufus se mete em perigo a ponto de quase morrer, Dana volta para protegê-lo.





        Em uma das voltas, Dana leva Franklin junto o que ela espera que melhore sua estadia no passado, já que tem um branco ao seu lado para protegê-la. Mas as pessoas não entendem a relação de Dana com Franklin e a sobrevivência dos dois fica extremamente difícil. Dana é negra, e é colocada a trabalhar como escrava. E passa a viver dias terríveis sobre opressão de chicotes, castigos, cães que são postos a correr atrás de escravos fugitivos e hematomas constantes. O que a faz voltar no seu tempo é ter a vida também em perigo e o que a faz voltar ao passado é a vida de Rufus estar em perigo. Não é tão fácil se colocar em risco de vida quanto parece (para que possa voltar ao presente) e o medo passa a ser constante na vida de Dana. Descobrir que Rufus é seu antepassado direto traz uma luz talvez a essas viagens estranhas ao passado. Dana precisa garantir que Rufus fique bem, para que sua vida seja possível no futuro. Mas ser negra no período da escravidão é mais doloroso do que Dana podia imaginar. Os livros de história não a prepararam para as adversidades que precisará passar.
A possibilidade de encontrar um adulto branco me assustava mais do que a possibilidade de enfrentar a violência humana da minha época. 
        Esse livro foi extremamente comovente. Há muitos sentimentos borbulhando em mim após a leitura: tristeza, indignação, lamento. A história da humanidade foi marcada por muitas atrocidades, mas para mim as mais dolorosas com certeza são as relações de escravidão e o holocausto. Acredito que ambas sejam iguais em crueldade. Eu não consigo conceber as pessoas serem inferiorizadas por conta da cor de pele. Isso é um absurdo enorme na minha cabeça. Como se criou esse parâmetro? Quem decidiu que pessoas negras seriam renegadas a trabalhar para os brancos sem remuneração nenhuma e pior, sendo constantemente tratadas como animais? As situações pelas quais Dana passou no livro foram brilhantemente retratadas e acredito fielmente que no passado deveria acontecer exatamente como fora exposto pela autora. O que torna mais pesada e densa a leitura. É tão real que machuca muito quando a lemos. Senti vontade que tudo não passasse de uma ficção, mas esse livro é tão real que vai deixar marcas profundas em quem o ler. É triste, é comovente. E conforme vamos acompanhando as vidas tanto no presente como no passado de Dana, percebemos pasmos que mesmo estando em uma época brutal, Dana começa a se encaixar. Os seres humanos se encaixam, se acostumam. E isso é o mais triste. São poucos os que tentam lutar para que seja diferente. Esse livro é um tremendo tapa na cara da sociedade e nos faz abrir os olhos, desejosos que não aconteça novamente esse tipo de situação.
        Um livro que todos deveriam ler, para se comover, para abrir a mente, para enxergar o quão vil é o ser humano. Que o ser humano muitas vezes de humano não tem absolutamente nada. Que podemos ser muito tendenciosos quando se está em jogo poder e dinheiro.
Alguns de seus vizinhos descobriram o que eu estava fazendo e deram a ele conselhos paternais. Era perigoso educar escravos, eles alertaram. Os estudos deixavam os pretos insatisfeitos com a escravidão. E os estragava para o trabalho no campo. O ministro metodista dizia que os estudos os deixavam desobedientes, fazia com que desejassem ter mais do que o Senhor pretendia que tivessem. Outro homem disse que dar aulas aos escravos era ilegal. 
        Outro elemento muito evidente é a informação negada aos negros por seus patrões. Em muitos trechos vemos Dana tentando ensinar leitura aos negros e ser repreendida pelo seu patrão. Quem lê abre a mente e nenhum patrão quer ver negro pensando sozinho. E não é isso que nosso governo retrógrado atual prega? Educação mínima, fragilizada, fragmentada. Para criar brasileiros cada vez mais ingênuos e fáceis de enganar. É triste, muito triste. As constatações que temos depois de ler esse livro são muitas. Foi sem dúvida uma das leituras mais pesadas do ano, e fiquei estarrecida após cada virar de página. Uma leitura cruel e envolvente, que vai te fazer torcer por Dana, que vai te fazer chorar e lamentar o passado de nossa história e se sentir envergonhado pelo o que a “humanidade” fez. E não podemos fechar os olhos ao final desta leitura. Quanto ainda se vive escravidões das mais diversas nos dias atuais? Há muito, muito trabalho escravo presente nesse mundo afora, o que é de se lamentar, mas não apenas. É preciso unir forças para que isso acabe. Um meio que utilizo muito é antes pesquisar se uma determinada empresa tem ainda trabalho escravo nos dias atuais. A internet é uma ferramenta que deve ser aliada neste processo. Temos meios hoje em dia de saber com mais facilidade e burlar estas empresas é um caminho.
        Termino relatando que Kindred, laços de sangue é um livro obrigatório, para se refletir e conhecer finalmente essa autora de sucesso que quebrou vários paradigmas e agora tem um lugar de espaço aqui no Brasil. Recomendado mil vezes.

        Aproveitando, sobre a edição da editora Morro Branco, a editora lançou duas versões deste livro – uma mais em conta, em brochura e uma edição de luxo em capa dura. Isso porque a autora fazia questão de que seu livro fosse lido por todos e que tivesse um preço acessível para que alcançasse o maior número de pessoas possíveis. A edição está linda e a capa com um trabalho gráfico magnífico. 
Capas do livro pelo mundo:



O livro apresenta como tema central a escravidão:
A escravidão, também conhecida como escravismo ou escravatura, foi a forma de relação social de produção adotada, de uma forma geral, no Brasil desde o período colonial até pouco antes do final do Império. A escravidão no Brasil é marcada principalmente pela exploração de mão de obra de negros trazidos da África e transformados em escravos no Brasil pelos europeus colonizadores do país (retirado da Wikipédia). 

Sinopse:
MAIS DE MEIO MILHÃO DE CÓPIAS VENDIDAS NO MUNDO.


Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça.



Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo.



Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado.



“Impossível terminar de ler Kindred sem se sentir mudado. É uma obra de arte dilaceradora, com muito a dizer sobre o amor, o ódio, a escravidão e os dilemas raciais, ontem e hoje” – Los Angeles Herald-Examiner