Resenha : Um, dois e já, de Inés Bortagaray


Livro: Um, dois e já
 Autor (a): Inés Bortagaray
Editora: Cosac Naify / Gênero: Romance
Páginas: 96 / Ano: 2014
Skoob


     Olá galera! Tudo bem com vocês? Hoje trago a resenha desse livro que arrebatou meu coração: Um, dois e já, da autora Uruguaia Inés Bortagaray, publicado lindamente pela editora Cosac Naify (como essa editora capricha nas edições gente, são muito diferenciadas!).

     Um, dois e já é um livro leve, narrado por uma garotinha que viaja com sua família e irmãos para o litoral. Poucos nomes são mencionados, o nome da nossa narradora é um deles. Mas criança se importa com nomes? Não. Crianças se importam com sensações, com deslumbramento, com narrativas infinitas e histórias bem contadas.


     Nossa narradora então nos presenteia com detalhes da viagem de sua família. Nos fala de seus irmãos, que são três, de seus pais, de seu enjoo (marca frequente nas viagens longas) e no seu desejo que por favor seu pai não bata o carro. Por favor, por favor que ele não bata o carro, e que sobrevivam à viagem. A narrativa é desenfreada, como quando uma criança nos narra um episódio e os assuntos pipocam entrelaçados; a menina fala de seu ódio pelo irmão e logo depois canta com ele. Essa leitura foi uma coisa tão prazerosa, tão: "voltar a olhar pelos olhos de uma criança as coisas", que me senti mega nostálgica! O olhar de uma criança sobre o mundo é tão diferente do nosso, e a gente se esquece que já teve esse olhar também, essa simplicidade, essa ida e volta de pensamentos dos mais estranhos à toa. 




Travo  pino da porta dele. Agora sim, ele está a salvo.

     Esse livro me trouxe tantas sensações boas. Me fez lembrar das viagens que eu, meu irmão e meus pais também fazíamos. Das brincadeiras que invetávamos para passar o tempo e chegarmos logo ao destino. Da impaciência de ver logo o fim do percurso e aproveitar o depois. 

     Não pensem que a leitura é infantilizada, por se tratar de ser narrada por uma criança. A narrativa é muito inteligente, a garotinha que a narra é danada de esperta. É o livro de estréia da autora e não sei se ela tem outros publicados no Brasil, mas fiquei com tanta vontade de ler mais alguma coisa dela! Porém queria encontrar a mesma garotinha, em outros livros. Não queria me separar dela, quando a leitura terminou. Queria ainda continuar com ela, de mãos dadas, para curtir a chegada na praia e ver com os olhos dela o deslumbre do mar. Recomendo demais a leitura, de um livro que li por recomendação e que virou mega favorito. Uma leitura doce, colorida, como um arco-iris, como um sorriso de criança.



Às vezes a viagem é tão comprida que me acostumo, e depois não quero chegar. Agora, por exemplo. Não quero mais chegar. 


Sinopse:
Primeiro livro da uruguaia Inés Bortagaray no Brasil, Um, dois e já é uma delicada ode às memórias afetivas. Na novela, a história é narrada em primeira pessoa por uma menina que conta a viagem de verão da família até um balneário uruguaio, dentro de um carro apertado, no início dos anos 80. A voz da narradora, ora lírica, ora jovial, mas nunca infantilizada, descortina a paisagem plana e melancólica do Uruguai, e revela a dinâmica familiar, na qual ela ocupa a peculiar e determinante posição de irmã do meio. Num relato repleto de humor e ironia, aparecem as disputas, as estratégias, alianças e brigas pelo lugar na janela e pela atenção paterna. Nos momentos de silêncio, ela cria histórias mentais, faz digressões, analisa os gestos do pai e da mãe, e pensa nas pequenas perdas da vida. 
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