Resenha : De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana, de Mário de Andrade


Livro: De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana
 Autor (a): Mário de Andrade
Editora: Martin Claret / Gênero: Poesia
Páginas: 470 / Ano: 2017
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      Olá galera mais linda, tudo bom? Hoje a resenha que trago é desse livro lançamento da editora Martin Claret que está lindo de morrer! Não preciso nem falar que essa editora capricha demais em suas edições né? É uma obra definitivamente para os amantes de poesia ter na estante - e para quem gosta da cidade de São Paulo também é um prato cheio. De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana, reunindo as principais obras de Mário de Andrade, esse mestre da literatura brasileira, consta em seu interior as principais obras do autor que são: poemas de "Pauliceia desvairada", "Losango Cáqui", "Clã do Jabuti", "Remate de males", "O carro da miséria", "A costela do grã cão", "Livro Azul", "Café" e "Lira Paulistana". 


      O livro é capa dura, e tem uma imagem belíssima de um dos principais prédios da avenida paulista. Por dentro ele está maravilhoso, com letras bem espaçadas, realmente uma obra super caprichada. 



      Poesia é um dos gêneros que mais gosto. Me sinto muito à vontade lendo. E Mário de Andrade é muito mestre gente. Você fica deliciada com algumas estrofes, tem vontade de riscar o livro todo. Já comecei adorando o Prefácio Interessantíssimo que ele escreve antes de começar os poemas de Pauliceia Desvairada. Nele, Mário nos diz:


E desculpe-me por estar atrasado dos movimentos artísticos atuais. Sou passadista, confesso. Ninguém pode libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu". 

      Fala se num é um trechinho para tirar o chapéu? É bem verdade que estamos sempre presos ao passado, ao costume. Difícil se livrar disso. E acredito que Mário começa com essa fala por também encontrar certa dificuldade de se expor como escritor no período pelo qual passava. Pauliceia Desvairada foi escrito no inicio das primeiras escolas modernistas, datadas de 1922 aqui no Brasil, e escrever versos mais soltos, pouco simétricos era a nova moda. Mas como não se sentir estranho ao fazê-los? E como voltar à simetria depois de degustar da leveza de versos soltos? Seu prefácio foi considerado à época a base do modernismo brasileiro, nos mostrando o quanto uma obra pode ser importante e emblemática para o período pelo qual passamos. Mais para o final do prefácio, complementa:


Aliás versos não se escrevem para leitura de olhos mudos. Versos cantam-se, urram-se, choram-se. Quem não souber cantar não leia".

      Poesia é uma coisa muito pessoal para se fazer resenha. Tem gente que ama, tem gente que odeia, tem gente como meu esposo que fica tipo: "hã?! num entendi nada que esse cara falou", mas num dá pra ficar explicando poesia, porque isso é que é o bonito nela: ela não exige explicação. Ela é. E neste livro vamos acompanhar a escrita de Mário e sua evolução, seus períodos, seus altos e baixos, seus odes de amor à cidade de São Paulo, seus odes de luta, de dor, de angústia, de olhos que se vêm engolidos pela evolução, pelo crescimento da população, pela cor pálida e frenética, mas ao mesmo tempo canda e banhada por uma garoa fina, sentimentos que convergem e se misturam em sua prosa. 

São Paulo é o pano de fundo para os seus principais poemas, mas não é só disso que Mário fala. Ele também fala de sentimentos e de música, já que também era compositor e um ótimo pianista, sendo que muitos dos seus escritos se tornaram famosos por conta disso. Seus poemas tem uma conotação saudosa, já que Mário viveu em São Paulo quase toda a sua vida, na Rua Aurora, número 320. Mário também faz críticas em forma de poesia, principalmente nas obras O carro da miséria e Lira Paulistana, críticas em geral à política social da época. 


      Gosto muito de ler autores brasileiros clássicos por este motivo: fazemos uma tremenda viagem aos períodos mais antigos e parece que estamos enxergando pelos olhos do escritor o que havia de interessante e acontecendo de novo naquela época. Mário ora é debochado, ora melancólico, mas sempre preciso no que tem vontade e quer expressar. Ele não liga se está se fazendo entender. Ele quer é escrever e mostrar. Aliás, para ele:


Todo escritor acredita na valia do que escreve. Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por vaidade também". 

      Alguns poemas realmente me deixaram emocionada. Outros me fizeram refletir e compreender como era viver uma evolução naquela época (pobre do Mário de visse como São Paulo é ainda mais caótica hoje em dia). Olha como os sentimentos borbulhavam dentro dele:

Horríveis as cidades! 
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!
[...]
Estes homens de São Paulo,
todos iguais e desiguais,
quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos [...]

      Em outro trecho, podemos observar outra crítica ao mundo desenfreado que é São Paulo:

Automóveis fechados... Figuras imóveis...
O bocejo do luxo... Enterro.
E também as famílias dominicais por atacado,
entre os convenientes perenemente...
- Futilidade, civilização.


      Difícil escolher um único trecho, são muitos poemas que me deixaram reflexiva. Para mim essa obra foi de grande preciosidade. Conhecer mais de Mário de Andrade me deixou orgulhosa. Me sinto um pouquinho mais cheia de cultura quando leio livros que me agregam conhecimento como este. Para quem gosta de poesias e de nossos autores, ter este livro em mãos é como ter um tesouro. É apreciar nossas origens, nossas raízes, é se aproximar do que é nosso. Convido você a ir até uma livraria mais próxima e dar uma olhadinha nessa belezinha também. Tenho certeza de que, se você gosta de poesias assim como eu, vai amar esse aqui! 


Quando escrevi Pauliceia Desvairada não pensei em nada disto. Garanto porém que chorei, que cantei, que ri, que berrei... Eu vivo!"

Sinopse:
Neste volume reúnem-se diversas obras em verso que marcaram a carreira de Mário de Andrade, entre elas "Pauliceia desvairada", "Losango Cáqui", "Clã do Jabuti", "Remate de males", "O carro da miséria", "A costela do grã cão", "Livro azul", "Café" e "Lira paulistana". Uma edição imperdível que permite-nos compreender melhor a concepção dos modernistas brasileiros.



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