Resenha : Fahrenheit 451, de Ray Bradbury


Livro: Fahrenheit 451
 Autor (a): Ray Bradbury
Editora: Biblioteca Azul / Gênero: Distopia
Páginas: 215 / Ano: 2012
Skoob

     Olá queridos e queridas, tudo bem com vocês? Hoje a resenha que apresento é desse clássico que eu estava paquerando faz tempo para ler e não arranjava brecha nas outras leituras. Acabei baixando de graça em uma promoção na Amazon e li em e-book mesmo e depois de muito tempo colocando na meta de leitura e tirando (hahah) consegui terminar de ler esse ano. O livro Fahrenheit 451 de Ray Bradbury já foi lido por milhões de pessoas e a edição que li é da editora Biblioteca Azul. Essa edição conta com um prefacio e um posfacio que ajudam muito na compreensão do livro. Não sei se outras edições contam com isso também, mas esta que li está super completa e a capa é uma das mais lindas que vi da edição também.

    
      Este livro foi publicado pela primeira vez em 1953 e tem como característica ser um romance Distópico. Foi um dos primeiros romances a darem vida a esse tipo de linha de pensamento: a distopia, na qual um romance é escrito do ponto de vista de uma vida irreal, ou com alguns elementos irreais. O autor cria um mundo com outros moldes e neste vamos acompanhar a vida Guy Montag que trabalha como "bombeiro". Mas neste livro os bombeiros não trabalham mais como os bombeiros que conhecemos hoje. Os bombeiros tem a digna tarefa de queimar livros, já que nenhuma casa mais pega fogo, depois de criarem barreiras resistentes para as paredes. 

     Já que foi escrito no início da Guerra Fria, encontrei alguns relatos na internet de que o autor resolveu escrever este livro como uma crítica à sociedade americana da época. O romance nos apresenta um futuro diferente à nossa sociedade, um futuro sem livros. É proibido ter bibliotecas, é proibido ler os livros, nenhum livro mais é aceito pela sociedade e os bombeiros são os responsáveis por identificar casas que ainda contém livros e exterminá-los. Além de não poder ler livros, a sociedade parece doente como um todo: não cultiva idéias próprias, são entretidos por grandes televisores que passam novelas interativas - as pessoas interagem com os personagens dos televisores criando uma falsa sensação de estão compartilhando sua vida com outras pessoas, mas que na verdade não são mais do que simples atores. Esses atores são inclusive chamados de parentes e a sociedade só sabe ficar em casa enclausurada acompanhando a vida de outras pessoas pelos televisores. 


     Montag vê sua esposa cada dia mais distante e cada dia mais absorta pelos programas que passam na tv. Chamam a sala de tv de "salão". Montag não se lembra a última vez que tentaram conversar e parecem estranhos que vivem na mesma casa. Mas Montag só começou a refletir sobre isso depois de um conhecer uma garota estranha que lhe fazia perguntas estranhas. Uma garota que gostava de observar o céu e apreciar o caminho, que gostava de falar com outras pessoas e não apenas com os parentes que viviam nos televisores. Clarice é o nome da garota que desperta a curiosidade por algo a mais em Montag. Ela vai questionar assuntos que muitos preferem manter intocados. E Montag deseja cada vez mais da sagacidade da garota, começa a pensar em quanto vai encontrá-la para ouvir palavras diferentes de novo. 

- Meus filhos ficam na escola nove dias seguidos e depois eles têm um dia de folga. Eu os aguento em casa três dias por mês; não á nada de mais. A gente põe as crianças no "salão" e liga o interruptor. É como lavar roupa: é só enfiar as roupas sujas na máquina e fechar a tampa. - A senhora Bowles riu. - Para elas tanto faz me dar um chute ou um beijo. Graças a Deus, eu também sei chutar!

     O grande divisor de águas, além de Clarice, na vida de Montag é quando precisam queimar livros na casa de uma senhora que se recusa a deixá-los. A senhora prefere morrer junto aos livros ao invés de vê-los queimando. Montag rouba para si alguns livros nesse dia e pensa que se a mulher preferiu morrer ao deixá-los é porque deve haver algo de muito valioso neles. E contra tudo e todos Montag sai sem rumo em uma busca por respostas e por quebra de paradigmas, já que não pode ser o bombeiro que outrora fora, não depois de ler umas palavras, de conhecer poemas, de ler trechos de uma bíblia. Não Montag não pode voltar atrás, só resta seguir em frente e encontrar outros que também se escondem da sociedade, que ainda cultivam livros, que os guardam dentro de si.


Temos tudo de que precisamos para ser felizes, mas não somos felizes. Alguma coisa está faltando. Olhei em volta. A única coisa que tive certeza que havia desaparecido eram os livros que queimei durante dez ou doze anos. Por isso, achei que os livros poderiam ajudar.

     O livro traz uma abordagem super interessante. Eu amei conhecer essa obra. Ela vai muito além do questionamento de uma sociedade vivendo sem livros. O autor quer aguçar nosso pensar, nos mostrando o que é uma sociedade escrava por televisores (ou qualquer outra coisa, vamos imaginar que agora nossa geração é presa pela Internet). Este livro nos mostra que nossa sociedade parece gostar de estar sempre presa há alguma coisa. É uma sociedade preguiçosa, que precisa de outros pensando por ela. É muito mais fácil correr o olho na página do Facebook e acreditar que tudo o que é postado ali faz sentido e é verdadeiro, ao invés de questionar e ir a fundo, para saber se realmente é verídico. Precisamos ser questionadores, precisamos ir além, se não do contrário seremos sempre massacrados pela mídia, seremos robôs articulados a repetir e repetir, papagaios burros e ignorantes que só sabem dizer a mesma coisa milhares de vezes. É por isso que essa obra atravessa anos e anos. Ela é um cutucão na vida de qualquer pessoa, um alerta que deveria ser lido por quantas pessoas existirem no mundo! Recomendo demais a leitura desse clássico, não façam como eu, não se deixem demorar para ler! 


Ideias, ideias escritas, são especiais. Elas são a maneira pela qual transmitimos nossas histórias e nossos ideais de uma geração para a outra. Se nós as perdemos, perdemos nossa história compartilhada. Nós perdemos muito do que nos faz humanos. 

     Há, mais um observação pertinente sobre o título do livro: O número 451 é a temperatura em graus Fahrenheit da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius. Achei uma puta sacada do autor! Há como eu queria ser inteligente assim! Eita invejinha do bem! hahaha. 


Sinopse:
Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.

Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.

Um clássico de Ray Bradbury, "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.
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